Jundiaqui
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108

Jundiaqui
4 de janeiro de 2018
Por Carlos Pasqualin

Quantas vezes passei por aquele meio muro, meio muro cinza chumbo. Ela nunca se fez perceber, aquela que seria do meu mais secreto, o comum.

- Bom dia Senhor Silvio.

Resposta num tom absurdado.

- Bom dia senhora, desculpe, mas, como sabe minha graça?

- Desculpado. O Senhor disse ao mundo quando nessa calçada confirma ao telefone...“Sim aqui é o Silvio! ”, e como não ando distraída. - Prazer Senhor Silvio, Linda.

- O prazer é todo meu, Senhora Linda.

- E por falar em prazer, como anda sua negociação com a casa da praia?

- Mas...

- Sim Senhor Silvio o senhor expôs essa – levanta os dedos sinalizando entre aspas – negociação e a distração estava longe de mim, nesse dia seus passos eram lentos, existiu uma pequena pausa no caminhar e então estou eu, a saber, sobre o local, valores - levanta os dedos sinalizando entre aspas – a negociação.

- Puxa realmente a Senhora...

- Quanto ao resfriado, tem sentido melhoras?

- Nunca comentei sobre resfriados ao telefone.

- Mas tossiu, a voz esteve anasalada, espirrou.

Num tom sarcástico – E nem me desejou saúde? É de costume por aqui!

- Sim, em qualquer lugar esse gesto acontece.

- Qual?

- O de desejar saúde.

- E já que aparentemente não se distrai nunca, por que não o fez?

- O quê?

- Ora, o gesto de “saúde”.

- Fiz, quem distraído estava, era o Senhor, seu Silvio Freitas. Passar bem.

E adentra a sua residência.

Fico a espreitar curioso, tentando me lembrar dos momentos que transitei por ali, o que posso ter expressado nas tantas idas e vindas naquela calçada, exatamente no pedaço da fachada do número 108.

Carlos Pasqualin é diretor e ator de teatro e circo
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