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Antígona Beltrão

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27 de outubro de 2017
Por José Renato Nalini

Assisti a um último ensaio de “Antígona” no Teatro Raul Cortez, direção de Amir Haddad e uma única atriz, que é um show de interpretação: Andréa Beltrão. Aquela estrela global de “Tapas e Beijos”, da “Grande Família” e de tantas outras cenas televisivas, mostra-se versátil e talentosa ao extremo.

Sófocles legou ao mundo um teatro que faz pensar. E o mundo precisa mesmo exercer um raciocínio que vá além das fofocas e das “fake news”.

A peça é uma aula de pós-graduação em humanismo. Serve principalmente para a grande comunidade das Ciências Jurídicas. Pois nos faz pensar se o Direito Natural se sobrepõe à lei positiva.

O mero fato de alguém pertencer à espécie humana, a única a se autoconsiderar racional, torna essa pessoa merecedora de respeito e de reconhecimento de sua dignidade. Impõe o inalienável direito de ter uma sepultura condigna à sua condição.

A luta de Antígona é para enterrar seu irmão que, por haver perdido a guerra, havia sido condenado por Creonte a permanecer insepulto, entregue aos cães e abutres.

Antígona faz pensar no direito de resistência. O ser humano pode resistir à ordem legal, mas considerada injusta? Qual o critério de justiça que prevalecerá? Justiça é algo mensurável?

A direção encontrou na atriz uma personalidade esplêndida, capaz de se transformar em segundos, de assumir todos os papéis, de se impregnar da emoção da personagem e de uma agilidade invejável. Aptidão física, aptidão verbal, magia que transporta o auditório à borrasca emotiva que envolve a trama de ciúmes, vingança, amor, adultério, incesto, violência, orgulho, todas essas interferências ínsitas ao ser humano. E muito mais próximas da realidade brasileira do que poderiam estar no período instigante da mitologia grega.

O espetáculo é didático porque recapitula o encadeamento de fatos conducentes à tragédia que ainda hoje ocupa as cogitações psicológicas deste animal estranho chamado homem! Por alguns considerada a maior das maravilhas, para outros a causa da extinção gradual e acelerada de toda forma de vida neste sofrido planeta. Um projeto frustrado, que chegaria a decepcionar o autor do design inteligente.

Assistam “Antígona”! Fará bem a quem estiver perplexo com o atual momento tupiniquim.

José Renato Nalini é secretário da Educação do Estado de São Paulo
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