Jundiaqui
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Biscoito da sorte

Jundiaqui
29 de outubro de 2017
Por Valquíria Malagoli

Pela primeira vez não achei graça na distração, portanto, sequer por mera curiosidade li a fina tira de papel.

Era um desses dias em que não creio no amor, no azar, em deus etc.

Era um desses afiados dias em que tudo soa – porque é!!! – invenção.

Isso não significa, porém, que eu descreia.

Transito, ora com veemência ora passivamente, pelo familiar território diuturno entre a fé e o ceticismo.

Adoro sentir isso: essa revolta interessante, muito mais interessada em cruzar com motivos de ir à frente do que preocupada em encontrar das preocupações as causas que me segurem passos atrás.

E encontro cada coisa nesse caminhar!

Encontro tantas pessoas boas. Encontro tudo nelas... bem dentro delas, em seus princípios, por meio dos quais chegam a quase acertados fins.

Encontro-me, encontrando um pouco disso tudo também em mim, quando me encorajo a encarar-me sem melindres ou excessivas exigências.

É mesmo, contudo, em cada um dos meus semelhantes – todos tão diversos! – que dou de cara com méritos bastantes para fazer esse mundo e a vida ainda valerem a pena.

Não obstante haja gente demais ruim demais. Demais... demais. Tento, todavia, não me concentrar nessa.

Pelo exercício de sobrevivência o faço: sair de mim sem me esquivar à primeira decepção... ou à segunda e assim por diante.

Prefiro isso: a saída. Senão, se ficamos, a gente enjoa de mirar a sem-gracice da própria fuça, ou, pior!, mete-se a Narciso, erroneamente admirando-a.

Empenho-me em manter, como reza o ditado, um olho no peixe e o outro no gato.

Nisso, sempre que um abatimento me toma, à vista de fraqueza pessoal ou ranzinzice escancarada alheia, pego cá meu baldinho interior de água fria e chuááá!!!

Bola pra frente... Sorrio.

Prefiro buscar aqui e ali sorrisos. Sorrisos como este meu, um pouco certos e um tanto evasivos, e é incrível que toda vez surpreendentemente os encontre.

Essa é uma das razões pelas quais, sim, continuo acreditando: pela surpresa que continua existindo. Enquanto ela existir, haverá vida.

Voltando aos risos, às vezes nem é pra mim que riem. Só riem.

Nem sempre topo com os sorrisos que encontro, porque nem sempre eles vêm de encontro a mim. Mas, nem por isso eles não vêm ao meu encontro, já que eu os intercepto.

Exato! Meto-me em meio à observação à distância de alguém que ri pra outro alguém. De alguém que ri consigo mesmo, como que a refletir a respeito ou recordar algo... ou alguém. Assim também consigo sorrir.

Acho lindo quando alguém sorri por nada. Ou aparentemente sem motivo, haja vista tanta vez o motivo estragar tudo.

Entretanto isso é algo muito pessoal, afinal, gosto sobremaneira de reparar no nada. Trata-se de uma loucura minha, recorrente e deliciosa.

Gosto mesmo. Problema e (de)mérito meus que eu curto. Quem compartilha sabe.

Só sei que ali, no nada, é tão vasto. Tão tranquilo quanto dar com o nariz de repente num sorriso no rosto de quem tenha ou precise inventar motivos pra sorrir.

E a invenção é um dom que eu tento imitar. Claro, quando em invenções creio.

Valquíria Malagoli é escritora e poetisa
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