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Em cena, a voz de Humanos Anônimos

Jundiaqui
16 de abril de 2019
Por José Arnaldo de Oliveira

O que pode haver em comum entre uma bordadeira analfabeta, um carregador de malas, uma entusiasta de promessas políticas e um homem-rolimã? Em primeiro lugar, claro, o fato de portarem surpreendentes sonhos de dignidade. E, em seguida, a condição de ainda serem invisíveis para a maioria das pessoas mas terem uma bela mensagem para a vida.
Tudo transformado em outra linguagem para “Humanos Anônimos”, a nova peça teatral do Performático Éos em seu 28º ano de atividade baseada em Jundiaí.

Inspirada em livro da premiada jornalista Eliane Blum, a montagem tem roteiro inspirado de Ulisses Vertuan e direção do polivalente Carlos Pasqualin, com os atores Cristina Guimarães, Édipo Queiroz e Marici Nicioli, além do próprio Ulisses. E mais a sonoplastia ao vivo do músico Antunes Nasser e o projeto preciso de iluminação de Décio Scalle, além do cenário de Ângelo César Simonete e os figurinos da costureira Delzira Reis.

As apresentações no Ballet Teatro Oficina - na rua Abolição (na região do Largo do Chafariz) - segue o roteiro de espaços alternativos mantido pelo grupo até com arquibancadas em lugares. Foi assim com o teatro do absurdo “Uma Arquitetura Para a Morte”, no Clube 28. Com o teatro de tom épico “Joana”, em sala do Complexo Fepasa. Com o teatro mitológico de “Pavão Misterioso”, no extinto Espaço Juventude, na Nove de Julho. Com a montagem nietzschiana “Ditirambos”, no Gravidade Zero. Com a comédia irresistível de “Amor Sem Limites”, no mezanino da lanchonete do Clube São João. E assim por diante.

Desta vez os quatro atores em cena, com a proximidade do público, parecem falar diretamente com cada um. As expressões faciais e corporais dizem frases mudas ao lado das palavras. E os efeitos sonoros são um quinto elemento, reforçado em apenas um momento pela voz em “off” cedida por Márcio Tenor.

Até a discreta mas eficiente cenografia guarda um impacto para o final.
O tom geral é minimalista, detalhista, com variações em torno de características inconfundíveis do Performático Éos, grupo teatral do diretor e pedagogo Carlos Pasqualin que marca sua história por temporadas de suas produções.

O livro que inspirou o roteiro, “A Vida Que Ninguém Vê”, conquistou o Prêmio Jabuti 2007 na categoria livro de reportagem. No espetáculo, esse grupo de artistas aplica criatividade para levar a essência das gentes, ao vivo. Nada mais atual. Grandes desafios, pequenas vitórias.

A peça tem patrocínio de Lanchonete Natura e Koh Samui e apoio de Ballet Teatro Oficina – Jo Martin, Abramus e Unidade de Gestão de Cultura.
Estão confirmadas as sessões de 19 e 20 de abril, às 20h, com reservas em 99891-6366.
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