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Jundiaqui
2 de abril de 2018
Por Valquíria Malagoli

Quem pensa que o amor se trate do sentimento de maior força de que é capaz uma criatura... não pôs no outro prato da balança a inveja.

Enquanto um, cuidadosamente, constrói, tijolo a tijolo... a outra os vem roendo, simultaneamente, com uma gula similar à de miríades de traças devastando armários inteiros.

Ao passo que aquele que ama, seja movido por amor romântico seja pelo amor fraternal, vai, à custa da limitação peculiar a qualquer ser humano, trilhando a amorável e desconhecida vereda e juntando afins... aquele outro, o invejoso, vai, em paralelo, pela fraqueza de seu espírito, plantando nela obstáculos para deles edificar o monstro da bola de neve em que se afigura sua inveja à medida que contagia.

Há quem recite de cor e salteado um livro sagrado ou perpetue indiretas via redes sociais, mas não distinga pequenas verdades nas entrelinhas do cotidiano.

Há quem, por pautar-se em seus métodos, julgue palavras e, por conseguinte, atitudes alheias somente como meio de outros alcançarem benefícios pessoais.

Não falta quem, pela rasura de suas pretensões, jamais identifique a rareza na ideia ou a despretensão em atos externos aos seus...

Quem, porque perde tempo medindo a altura do outro, calculando como derrubá-lo, perde a oportunidade de estender sem medida seus braços também – por amor ao próximo e, nisso, inclusive, por amor próprio!...

Quem (e não são poucos) se feche à compreensão do simples por causa da complicação que cria...

Quem não apenas não somará numa batalha do bem, como, ao contrário, vai difamá-la tentando dissuadir quem se sinta solidário àquele bom intento.

O coração do invejoso é frio. Pois, sim, ele tem um coração. O que ao invés de privilégio natural, em seu caso, configura-se castigo.

Castigo e fardo, haja vista o coração, no peito do invejoso, pesar deveras.

O coração é um corpo estranho dentro do corpo do invejoso. Isto posto, ele o repele tal e qual doença entranhada.

Suportar um coração para os que se negam dar ou receber suporte é quase insuportável.

Quase.

Quase, porque todo invejoso é um guerreiro. Ele não arredará pé nem embainhará sua espada até que o último adversário se canse e desista.

Não obstante tudo o que até a presente linha foi dito, e, principalmente, não obstante toda inveja... este texto é sobre o amor.

Mais um, afinal, a respeito do amor e dos que amam não faltam conjeturas.

Pensadores, néscios, poetas (e poetas néscios pretensos pensadores), desde que o mundo é mundo, acerca dos amantes discorrem.

Por isso apenas, por força do hábito, e por não encontrar na vida outro propósito que não seja amar é que hoje caio na recorrência de gritar aos quatro ventos que, havendo inveja, oxalá seja a inveja de amar.

Valquíria Malagoli é poetisa e escritora
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