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O poeta da infância

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28 de abril de 2019
Por Valquíria Malagoli

Os pais de Casimiro de Abreu (1839-1860) não viviam sob o mesmo teto, o que o fez passar pela pública humilhação típica à sociedade da época, em vista do caráter ilegal de sua origem.

Passou a infância principalmente com a mãe, e recebeu somente instrução primária.

Em 52, a contragosto seu, mas por submissão à vontade paterna, passou a trabalhar no comércio. Juntos, viajaram a Portugal, um ano depois. Em Lisboa começou sua atividade literária. Com dezessete anos já era colaborador da imprensa local, entre outros, ao lado de Alexandre Herculano.

Não cansou de exaltar as saudades do Brasil, da mãe, da irmã com sensível inocência: “Se eu tenho de morrer na flor dos anos/ Meu Deus! não seja já;/ Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,/ Cantar o sabiá!/ Meu Deus, eu sinto e tu bem vês que eu morro/ Respirando este ar;/ Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo/ Os gozos do meu lar!”.

De volta ao Rio, relacionava-se bem nas rodas literárias, festas e bailes.

Chegou a trabalhar num jornal com outro moço promissor, Machado de Assis, na ocasião, revisor.

Num ano, 59, publicou "As primaveras". No outro, o pai que jamais lhe negara auxílio financeiro ao sonho, faleceu. Passados seis meses apenas, e faltando três para completar vinte e dois anos, tuberculoso, faleceu também.

O pressentimento da morte e as belezas naturais figuraram dentre os temas preferidos do rapaz que foi adepto da estrofe regular, donde lhe vertiam versos de ritmo cantante e doçura ímpar.

“Oh! dias da minha infância!/ Oh! meu céu de primavera!/ Que doce a vida não era/ Nessa risonha manhã!/ Em vez das mágoas de agora,/ Eu tinha nessas delícias/ De minha mãe as carícias/ E beijos de minhã irmã!”.

Comum ao seu lirismo romântico, não poderia faltar-lhe ainda a idealização da mulher: “Oh! não me chames coração de gelo!/ Bem vês: traí-me no fatal segredo./ Se de ti fujo é que te adoro e muito!/ És bela — eu moço; tens amor, eu — medo!...”.

Li Casimiro minha adolescência inteira. E ele me fez crer que eu também morreria jovem.

Fazer o quê? Rock and roll meio fajuta, “envelheço na cidade”, ainda.

Valquíria Malagoli é escritora e poetisa

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