Jundiaqui
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Pastelão moderno

Jundiaqui
16 de outubro de 2017
Por Valquíria Malagoli

Forçosamente reacostumo-me aos varais externos.

Após ter sido por anos privilegiada pelo sossego de sair e chegar sem precisar correr para tirar as coisas sob chuva... já na minha primeira semana levei chumbo. Digo: água. Digo, as roupas levaram.

Desafiei as nuvens que me olhavam de cima, e parti para o reconhecimento da pista de corrida aqui ao lado.

Pumba! Truuuuuuuuuuummmmmmmmmmmm... dá-lhe inclusive raios e trovões!!!

Desperdício duplo: de tempo e água, pois, tive que lavar tudo de novo.

Desperdício quando ambos, água e tempo, este urge e aquela falta.

Dívida minha com o planeta, que eu assumo e pago ouvindo vozes que me atormentam a consciência.

Tudo foi muito rápido? Ou eu que fiquei lerda para essas inconstâncias inerentes aos afazeres domésticos?

Lerda.

Prova disso é que há esses mesmos dias... duas semanas agora... vivo sendo distraída pelas peripécias de um jovem casal de pardais.

Desconcentram-me por seu entra e sai do ninho, cujos raminhos minha filha e eu observamos atenta e preocupadamente manhã após manhã.

Temos um pouco de pena dos nossos felinos afoitos por alcançar seu novo objeto de desejo coberto de penas, ao passo que nós já quase queremos jogar janela afora – sem pena alguma –, por nossa vez, tantos objetos nossos destinados a serem ajeitados aqui e acolá em nosso próprio ninho.

Nosso... nossos... nossa... nossas...

Nossa!!!

Entre tantos issos e aquilos meus e/ou nossos, tantos dentre os quais supérfluos, orgulho-me (de um orgulho bom mas bom muito bom mesmo), deste que não é pertence meu, entretanto a mim um tanto pertence por pertencimento natural, parido da carne e ratificado pelo coração: a companhia diária da minha caçula, que já já, eu sei, voará também.

Para o irmão a casa nova é agora um pouso de férias. Um lugar de visita.

Para nós duas, contudo, é canto para ouvir todo dia o canto dos pardais. E mais... dos sanhaços, sabiás, corruíras, bem-te-vis, maritacas, tico-ticos, coleirinhas, tanto... tanto pássaro... tanta passarada que não acaba mais do raiar do dia até quando a gente começa a ouvir a orquestra ser substituída por outra – tão afortunadamente barulhenta quanto! – de cricrilos e coaxares.

Sinto que não saldarei em vida minha dívida com o planeta... com o universo inteiro, não. É... afinal, ao invés de largar mão de lerdeza e poesia... todo santo dia catequizo com distrações várias minha pequena, digo, minha mocinha, digo, esse mulherão que admiro e que é minha companheira.

Assim, todo santo dia, juntas, estrelamos um filme sem direção, encenando duetos de observação da passagem de pássaros... de possessão de risos... e, por que não?... sessões de lágrimas.

Valquíria Malagoli é escritora e poetisa

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