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Patas-de-vaca

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31 de outubro de 2018
Por Valquíria Malagoli

O nome com que popularmente são conhecidas as árvores vem da semelhança de suas folhas com as patas do animal.

Meu genrinho, cujo nome por sua vez é Guilherme, não se convenceu tão facilmente disso e pôs-se a pesquisar na internet...

Ao contrário de convencer-se, voltou cheio de argumentos sobre a história da fulana, inclusive, acerca de seu uso na modernização do paisagismo urbano e tal e coisa.

Pelo menos agora ele acredita que não é exagero meu quando a cada esquina aponto “pata-de-vaca... pata-de-vaca... pata-de-vaca...”.

Não é, portanto, à toa que as lindas flores, bastante parecidas com as de certas orquídeas, em seu devido tempo saltam aos nossos humanos espinhosos olhos pelas ruas da cidade.

Um pouco mais difíceis de serem vistas do que as com flores pintalgadas de rosa, lilás e branco, há também as de florada alvíssima.

Uma dessas, jovenzinha e já inteirinha branca, decora a esquina logo à frente da casa adivinhem de quem. Sim, dele, do Guilherme.

E ele nem sabia. Sequer talvez atentara antes à existência da árvore tampouco à sua importância.

Gosto agora de acordar e imaginá-los lá: árvore e Gui. Este rindo para aquela balançando negativamente a cabeça, inconformado com a inconformidade, segundo sua impressão, quanto ao nome dado à dita-cuja.

Mas, muito mais gosto de imaginar que em meu pouquíssimo conhecimento a respeito de quaisquer coisas, fiz a coisa certa: dar aos olhos dele – fores! e às flores das árvores – visão.

Desde então, passamos a rir de coisas outras. Coisas simples, entre as quais, coisas grandes, que grande coisa para nós não significavam. Pequenas coisas que no corre-corre do dia a dia passam no que por ela passamos sem nem contar passos dada a pressa da passagem. Pequenas coisas para as quais não olhamos, ou, mesmo olhando não as vemos. Não como são.

Tal e qual também nós não nos mostramos como de fato somos.

Às vezes, sinceramente, nem convém.

Tantas circunstâncias há nas quais o melhor é manter silêncio de flor.

Silêncio, inclusive, ao cair; dar com a cara no chão, silente.

Deixar-se levar por um vento suave ou por uma passada brusca de vassoura.

Fazer-se de morto. Até morrer.

Esperar outro ano, outra estação. Apenas esperar.

Esperar que a flor-fruto-palavra após hibernação encha de sabor e saber nossa boca.

Torcer pra que sejam sim, palavras ao vento... que ganhem voz de dentes-de-leão e se espalhem.

Eu me saciaria caso as minhas atingissem a mínima altura daquela grama que rodeia essas patas-de-vaca. Essa grama que mais do que isso garante maciez àquele varredor que tira seu cochilo na hora do almoço.

Essa grama que, aliás, é a mesma grama onde o cão de rua faz xixi e a madame traz seu dog pra fazer cocô. Inclusive a madame que se esquece de retirar a caca.

Posto isto tudo... tem razão, genro querido. As folhas talvez nem se pareçam tanto assim com patas de vacas ou de bois. Mas... relevemos. Relevemos de forma que nos seja mais leve. Afinal, tantas coisas existem que por mais que pareçam... o que aparentam ser... não são!

Valquíria Malagoli é escritora
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