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Peça renova obra teatral de Plínio Marcos

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18 de agosto de 2019
 

“Quando as Máquinas Param” mostra que autor morto há 20 anos ainda tem muito a dizer



José Arnaldo de Oliveira

A remontagem de “Quando as Máquinas Param”, do dramaturgo Plínio Marcos, conseguiu trazer à tona uma profunda poesia que humaniza as estatísticas do desemprego. O trabalho dos atores José Renato Forner e Vive Almeida atravessa a peça teatral em um ambiente de drama romantizado até desembocar em uma inesperada tragédia realista. Ou esperada, talvez.

A delicadeza da maior parte do roteiro, permeado por alusões aos símbolos da cultura popular em 1969 (o futebol masculino e a novela feminina, ainda presentes meio século depois), é costurada em torno da força do amor romântico mas desmonta diante da fragilização de seu alicerce machista - incluindo até a fuga da responsabilidade de ação.

A conexão de Plínio Marcos com a cultura popular é reforçada no início, com um “pocket” na entrada do teatro onde o diretor Jefferson Lopes destaca trechos como a ligação de Plínio com o samba paulista – onde o sambista de rua também morre sem glória – com o apoio da trilha sonora ao vivo e Amanda Angoia.

O auditório ficou cheio no Sesc Jundiaí na sessão deste sábado (17). O cenário, centrado em um lar, explorava o branco valorizado pela iluminação precisa de Rebeka Konopkinas. Uma tela pintada ao vivo foi elaborada pelo artista Ed Primo e foi doada ao Ateliê Casarão, espaço alternativo que abrigou os ensaios. Tudo apontava para o reconhecimento do artista, que já foi considerado “maldito” por peças fortes como "Navalha na Carne" ou "Dois Perdidos Numa Noite Suja" e encenado por mitos como Tônia Carrero.

A produtora Danielle Cabral, da DCarte, viabilizou uma grande obra. Alguns espectadores cogitaram na saída que muitos personagens como esses não devem se ver em coisas desse tipo, ainda mais em uma época dominada pelo escapismo de superpoderes. Pode ser verdade, mas em compensação outras pessoas que vivem outras dimensões podem perceber a profundidade dessa questão popular – seja em 1969, seja em 2019.

Vinte anos depois de sua morte, quem diria, Plínio Marcos continua tendo muito a dizer.

José Arnaldo de Oliveira é sociólogo e jornalista / Fotos: Tati Silvestroni/Divulgação e reprodução Facebook
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