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Jundiaí amplia seu Carnaval de rua, apesar de tudo

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14 de fevereiro de 2018
Por José Arnaldo de Oliveira

Subestimando as estimativas, podemos apontar mais de 60 mil moradores de Jundiaí saíram para as ruas no Carnaval. São 15% de 400 mil, proporcionalmente a 1,5 milhão de pessoas no patamar de 10 milhões de moradores em São Paulo. Isso considerando dois terços do total apenas no desfile das escolas de samba e na passagem do bloco mais tradicional. Podem ser mais.

Não é pouco. Também é preciso lembrar que os orçamentos das duas cidades são proporcionais. Aqui, de R$ 2 bilhões para 400 mil e lá, de R$ 50 bilhões para 10 milhões. Em ambos os casos, a aritmética chega a R$ 5 mil por cabeça.

A diferença, portanto, está exatamente aí – nas cabeças. Com o mesmo orçamento proporcional, São Paulo consegue manter um serviço de atenção aos animais silvestres, criar uma rede de 400 km de ciclovias e discutir como buscar o posto antes improvável de um dos maiores carnavais de rua do país. Apenas para citar temas onde ainda estamos patinando.

Entretanto, acho ótimo não sermos a capital mesmo com orçamento proporcionalmente parecido. Mas é preciso sempre questionarmos o que queremos ser. E lembrar sempre do que também já somos – a cidade da Serra do Japi, da Terra da Uva e de uma das poucas vilas e cidades mais antigas do Brasil, ou seja, Jundiahy (que no dia 23 ganha um novo livro sobre isso, o segundo volume do Roberto Franco Bueno).



Esse carnaval de rua entre nós, que cresceu nos últimos anos, tem uma longa trajetória desde os “entrudos” centrais e as trocas de batuques no “barracão” de escravos em Pirapora dos séculos XVIII e XIX até os primeiros “cordões” e depois “escolas” na virada do século XX.  Das fantasias nos salões às manifestações populares, é muita gente que levou essa história cultural na cidade, muitos ainda entre nós.

É lógico que se trata de um desafio. A ponte entre os veteranos das marchinhas do “Mamãe Eu Quero” e os jovens adolescentes dos funks do “Que Tiro Foi Esse” precisa existir como um aprendizado ao vivo, incluindo até aqueles novatos ou reincidentes que literalmente espanam o parafuso – e queimam o filme.

Isso não vai acontecer com a economia da arquibancada ou com gás de pimenta na dispersão.

Nesta era de voyeurismo oficial das câmeras que podem chegar ao reconhecimento facial computadorizado, os olhos das autoridades (eleitas) devem procurar não apenas “problemas” mas principalmente soluções – inspiradas por crianças fantasiadas e felizes, por veteranos que acreditam na transmissão de valores de convivência saudável, por jovens que redescobrem as ruas e as praças mesmo que por tentativa e erro antes de acertar. Um olhar positivo como mostra a cobertura de diversos veículos, em especial este JundiAqui e suas milhares de fotografias.

Assim também, por outro lado, as “patrulhas ideológicas” podem desenvolver a crítica, mas sem rotular em demasia a liberdade de fantasias que sempre marcou a inversão do cotidiano nas festas carnavalescas. Menos com o lugar da fala, mais com a liberdade de expressão sem abuso. Da mesma maneira que mais com a paquera, mas zero para assédio.

De resto, o baixo número de ocorrências mostra que a cidade está descobrindo como aproveitar a festa. Serão apenas 60 mil mesmo? Quem sabe 80 mil? Sei lá.

Era mais simples, claro, quando a cidade era menor e tanto os desfiles como os bailes eram concentrados todos no Centro Histórico, tudo podendo ser feito a pé em ambiente mais tranquilo e misturado. Mas cada tempo a seu tempo.

O importante agora é encerrar a festa cumprimentando os blocos Refogado do Sandi, o Bloco Afro Kekerê, o Bloco da Ponte Torta, o Bloco do Loki, o Continuamos na Nossa, o Carne Com Queijo, o Bloco Super Poder Rosa, o Chupa Que é de Uva, o Galo Doido, o Bloco do Gordo, o Bloco do Rato, o Agora é Noizz, o Basta Vir e Se Divertir e o vindouro Órfãos do Fígado. E as escolas de samba União da Vila, Leões da Hortolândia, Arco Íris, Unidos da Zona Leste, Marujos da Zona Sul, União do Povo, Caprichosos e Mocidade Alegre. E mais escolas comuns que fizeram seus eventos (como Santa Felicidade e Projeto Guri, além de muitas infantis) e clubes que mantiveram bailes tradicionais (como Tênis, Jundiaiense, Grêmio e São João). E todos os envolvidos.

José Arnaldo de Oliveira é jornalista e sociólogo

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