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Não deixe o Santa de fogo

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18 de dezembro de 2017
Por Tiago Ribeiro

A cada ano o Natal chega mais cedo, isto é fato. Há estudos garantindo que até 2025 o Natal chegará pouco depois da Páscoa, ali entre o Carnaval e o Réveillon, que deve ser em outubro. Mas isso é tema para outra coluna.

Vamos aos fatos.

Com temperatura média de cerca de uns bons 30ºC Brasil a fora, além de frequentes sensações térmicas de uns 40ºC, nosso Natal e suas comemorações pedem bebidas geladas, quando muito bem frescas, ao menos, e que sejam leves, pouco alcoólicas, de preferência. Aqui vão então algumas poucas dicas para que você aproveite bem suas comemorações de final de ano sem dormir todo babado no sofá da tia nem tocar fogo no Papai Noel.

1) Não misture. Misturou? Saiba misturar.
Misturar goró é maus. Eu sei disso. A humanidade sabe disso. O Engov vive disso. Mas, se for dar aquela variada etílica, tente, veja bem, tente seguir alguma linha. Está na cervejinha? Pule pra uma caipirinha, no máximo, ou então beiçadas de leve num whisky bem diluído em gelo abundante. Nunca enfie vinho no meio, por exemplo. Nu-uuun-ca.



2) Deixe seus destilados mais leves
Altas temperaturas deixam bebidas muito alcoólicas (ali na casa dos 40GL), como tequila, cachaça, vodka, run, whisky e gin, por exemplo, mais ‘pesadas’ ainda. Faça drinques mais leves e refrescantes. Whisky com bastante gelo e um golpe de Club Soda, por exemplo, farão você aproveitar a bebida a noite toda sem babar no ombro do tio Cleyson. Ou sua vodka com um pouco de suco natural de fruta e muito gelo. Ou seu gin tônica com, adivinhe?? -- muito gelo e um toque de limão. Fora aquele belo e tropical Mojito, com run branco, suco de limão, um pouco de açúcar, água com gás, hortelã fresca a gosto e muito, muito gelo. Água é fundamental na brincadeira toda, afinal, você não quer começar seu 2018 com aquela boquinha seca e cara fechada do Michel Temer, certo?



3) Vinho poooode sim, bebê!
Quando eu escrevo v.i.n.h.o, você já lê ‘vinho tinto’, né? Pois então, saia da casinha, mano. Vinho compreende os espumantes, os brancos, os rosés, os tintos leves, todos eles podem ter lugar nas suas festas. Com o sórdido bacanal gastronômico tradicionalmente apresentado por nossas avós, tias e familiares em geral, incluindo maioneses variadas com uva passa, peru com uva passa, tender com uva passa, farofa com bacon e uva passa, arroz de forno com uva passa, bem como uma leve e refrescante salada... com uva passa, claro, vinhos leves e servidos quase geladinhos vão muito bem.

Esqueça um pouco a maldita “harmonização”, não é hora pra isso, pelo amor de Deus. Nem Cristo transformando água em vinho ali na hora pra você daria conta de harmonizar cada um dos 57 pratos da mesa com vinho, e nem você daria conta de beber tanto vinho assim, seria um porre. Portanto, escolha um coringa, e vá com fé nele.

Sugestões? Os ótimos espumantes brasileiros, em suas versões Brut clara e rosada. Particularmente acho que os rosés encaram muito bem esta pro(con)fusão de sabores. Cave Amadeu Brut Rosé, Casa Perini Brut Rosé, Pizzato Brut Rosé, entre outros, dão conta do recado e não pesam no bolso.

Brancos limpos, frutados, de boa acidez sem passagem por madeira também vão bem, além de rosés tranquilos (sem borbulhas). E aí há várias opções de bom preço do Brasil, Chile e Argentina, e até de Portugal, Espanha e França, sobretudo aqueles que são importados diretamente por redes como Carrefour e Pão de Açúcar, por exemplo. Não tenha preconceito. Há boas surpresas ali.

4) Transforme o vinho suspeito da sua tia em algo potável
Os amigos postando fotos na piscina da pousada em Caraíva com garrafas de Champagne no Insta e você ali, fazendo sala pra tia, só com aquele ‘Santa-alguma-coisa’ da adega ‘para-lá-de-suspeita’ do tio Jaime?? Liga não. Pega a jarrona de groselha da dona Odete, enche de frutas picadas, o que tiver ali, sempre tem, abacaxi, melão, uvas, maçã, tomba o Santa todo lá, muito gelo, e completa com água com gás, soda ou H2O, dependendo de quão doce você quiser seu Clericot (feito com vinho branco) ou sua Sangria (de vinho tinto). E divirta-se!



E, depois de uma noite assim, desejo que você esteja com um sorriso largo no rosto, as retinas lotadas de boas lembranças, o coração em paz e uma mesa de doces pacabá com qualquer dieta chata (qual não é?). E, se você for mesmo um ‘doceiro-sabidão’, vai deixar reservada ali na geladeira uma garrafa de espumante demi-sec (meio-doce), como Chandon, Miolo e Cave Amadeu Moscatel, entre outras, pra arrematar as rabanadas ou aquele potão de sorvete de creme. Ou os dois. Juntos.

Com uva passa, claro.

Feliz Natal!!!

Tiago Ribeiro é jornalista e sommelier formado pela ABS (Associação Brasileira de Sommeliers), FISAR (Federazione Italiana Sommelier Albergatori e Ristoratori) e WSET (Wine and Spirit Education Trust)

 
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