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Vírgilio Torricelli, 102 anos, deixou marcas indeléveis na cidade

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28 de janeiro de 2019
Contabilista, foi o primeiro professor contratado pelas Escolas Padre Anchieta 

José Arnaldo de Oliveira

Em 28 de janeiro de 2018, antes de alcançar em meados do ano o seu 103º aniversário, Jundiaí despediu-se de Virgílio Torricelli. Diversos jovens se lembram de sua disposição para contar histórias na campanha que impediu o fechamento do córrego do Mato entre os anos 2000 e 2001, sobre passeios de barco no lago que formava na Vila Iracema ou das encostas de plantação de uva que chegavam até o córrego e onde sua mãe recebia com café e bolo as tropas paulistas e depois mineiras na revolução de 1932. Era adolescente na época, o que não o impediu de ser sócio benemérito da Associação dos Combatentes.

Mas nesses mais de 60 anos de atividades não faltaram episódios. Contabilista, foi o primeiro professor contratado pelas Escolas Padre Anchieta e colaborou com praticamente todas as entidades filantrópicas e culturais de Jundiaí ao longo desse tempo. Entre 1955 e 1988, foi diretor financeiro da Credi Rei, pioneira no crédito de roupas.

Foi fundador e primeiro presidente do Grêmio Estudantil das Escolas Luiz Rosa e até inspetor de quarteirão na Ponte de Campinas, na década de 1930. Foi o secretário na fundação da Telefônica de Jundiaí, em 1953. Presidiu a comissão dos Jogos Abertos de 1964. Foi presidente do Serviço de Obras Sociais (SOS) no ano seguinte, onde tornou-se também sócio benemérito do Aero Clube. Foi secretário do Salão de Belas Artes em 1967, fundador da Fundação Jundiaiense de Bolsas de Estudo na Faculdade de Medicina em 1969... a lista é imensa.

Escrevia muito, desde estudante. Seus artigos estiveram sempre nos jornais locais, em contos premiados e até em um que ajudou a fundar em 1975, o lendário "Jornal de 2ª Feira". Em 2004, publicou "A Saga de Um Imigrante" pela editora Literarte com as peripécias de seu pai Adolfo.

Em 1981, um poema publicado no "Jundiaí Hoje" reforçava a defesa da Ponte Torta no movimento contra sua demolição, estudada por parte do governo e depois cancelada até seus trabalhos de restauro em 2015. “Já que – ó Ponte – poderás ser de morte ferida,/que cada responsável assuma sua posição./os que são a favor da ponte, pela história,/que lutem pela sua manutenção;/os que te querem demolida,/que mandem às favas, do povo, a memória.”

Filho de Adolfo Torricelli e Augusta Joana Feriotti Torricelli, Virgílio veio aos cinco anos de idade de Rio das Pedras para Jundiaí. Teve como irmãos Vitalina, Virgínia, Elvira e Arnaldo. Na cidade foi casado com Eglantina Bertelle e teve os filhos Eunice, Eliana, Tânia e Enéas, mais uma turma de netos e outros parentes.

Mesmo centenário, não perdia a conexão com o noticiário e com a vida.
Participou da vida pública como servidor na Prefeitura desde 1937, tendo chegado a chefe de gabinete nas gestões de Vasco Venchiarutti e Luiz Latorre. Entre 1958 e 1963 atuou como diretor na Câmara (ainda na esquina da Barão com Coronel Leme) e lançou-se candidato a vice-prefeito. Naquele tempo, a votação para prefeito e vice eram separadas e ganhou com 61,56%. Com a fase do regime militar, ficou integrando diretórios do PSD e, depois, Arena até 1975. Mas nunca deixou de apoiar o protagonismo da comunidade e do livre arbítrio.

“A vida se vai aos poucos, devagarinho, somando pulsações. Que soma fantástica que a pulsação marca sem cessar! Cada batida no coração representa um enorme esforço, resultado da obra prima da Criação, que não ouso definir, marca um ponto. E a vida estará limitada por um número de pontos (...) Por que me preocupo com o meu limite, ou seja, o número de pontos que vou alcançar? Por que já sinto o crepúsculo? Mas por que o final é tão misterioso? Penso que é aí que está a magia do Criador. Se a ninguém é dado o poder de prever o fim, é porque o mágico é Ele, o Ser Supremo, e fim de papo”, escreveu Virgílio em 2000.

Um encantador como contador de histórias, estava na fila para uma gravação da série “Também Por Mim Jundiaí Se Fez Grande” – projeto iniciado da TVTEC e do Departamento de Patrimônio Histórico, ambos da Prefeitura. Mas seu legado fica em centenas de lembranças e registros.

(Este artigo é dedicado à sua neta, a professora Patrícia, que apresentou o avô para as mais novas gerações). 
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