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No caldeirão do bruxo, jazz é melhor que magia negra

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10 de agosto de 2017
Fábio Pescarini escreve sobre o show de Hermeto Pascoal no Sesc Jundiaí

Fábio Pescarini

A caretice toda certinha parou durante duas horas e pouco na noite da última quarta-feira (9). Pelo menos para os fanáticos por jazz que lotaram, na medida, o ginásio da unidade do Sesc de Jundiaí. Foram duas horas e pouco do mais refinado som instrumental (e muitas vezes fora dos padrões), sem se precisar o tempo exato de show, porque a vida anda chata demais com seus horários padronizados, conforme disse Hermeto Pascoal, logo após a primeira música, neste que foi show de lançamento do CD “No Mundo dos Sons”.

O disco, com o selo Sesc, é o primeiro gravado em estúdio após 15 anos pelo alagoano, de 81 anos, que continua com o mesmo timbre musical refinado que o fez colocar o jazz brasileiro entre os mais aplaudidos de festivais na Europa nas décadas de 1970 e 1980.

No show, que vai rodar unidades do Sesc no Estado, Hermeto e seus parceiros de palco “jazzificaram” samba, frevo, erudito e as mais inesperadas formas de se fazer música, como apertar bichinhos de brinquedo com apito, tocar berrante, chaleira e até organizar uma banda de percussão com canos de metais junto à plateia, fora do palco. Só o dono da festa não desceu – ficou próximo ao seu teclado com sua taça de vinho, que desta vez não tirou um som do copo, como fez no festival francês Jazz Sous les Pommiers, de 2012.

Mas é com a avaçaladora junção dos instrumentos tradicionais (dois teclados), percussão, baixo, sax e flauta, baixo e bateria que o público entrou numa escalada progressiva de êxtase, aplaudindo várias vezes diferentes partes de uma mesma música.

O visual de Merlim rotulou Hermeto de bruxo. Talvez por isso tenha botado o público para cantar letras indecifráveis, como num ritual de magia negra. E foi assim que interagiu durante quase todo o show. Ou quando parou para contar histórias das suas décadas de som instrumental e reclamar mais de uma vez da chatice dos dias controladinhos de hoje.

Também elogiou repetidamente o comportamento da plateia e do talento dos músicos que o acompanham nessa nova turnê. Na base dos aplausos, arrancou solos de tirar o fôlego do baixista Itiberê Zwarg, do saxofonista Jota P., do pianista André Marques, classificado por Hermeto como gênio e que por duas vezes tocou sozinho durante o conserto de jazz. Rotulado de novato no grupo, o baterista Ajurinã Zwarg (filho de Itiberê) jogou por terra a história de que no jazz manejar suavemente baqueta de vassourinha é o que importa. Com uma batida, forte deu o tom para os demais.

Se a ideia era simular um improviso, pois Hermeto classifica os shows de sua banda como diferentes um dos outros, a trupe convenceu quando o produtor e o auxiliar de palco serviram de estante de partitura com notas musicais impressas em suas camisetas.

Quase no fim do show, Hermeto disse aos companheiros de palco que espera ser convidado para tocarem em Jundiaí novamente. E nós também.

 
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