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Cadê o pai?

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21 de setembro de 2018
Por Vera Vaia

“Crianças criadas sem um pai têm cinco vezes mais chances de viver na pobreza e cometer crimes, nove vezes mais chances de desistir da escola e 20 vezes mais chances de acabar na prisão." Barack Obama!

Quando o ex-presidente americano soltou essa fala, em 2008, os barraqueiros anti-Obama abriram o bico num oh!, quanto preconceito seu Barack!

Dez anos depois, aqui na terrinha, o general Mourão, vice-candidato de Jair Bolsonaro, repetiu a dose, quase que com as mesmas palavras. Mas pra ficar um pouco diferente, colocou uma pitada da sua peculiar finesse, e soltou a bomba: “Casa de mãe solteira, é fábrica de desajustados”.

Com isso, arrancou da torcida organizada da direita um “oh!, quanta sapiência seu Mourão”!

Claro que manifestações contrárias surgiram defendendo que mãe ou avó são perfeitamente capazes de criar uma criança, impedindo que ela venha a cair na bandidagem.

Geraldo Alckmin, seu opositor nas eleições, aproveitou a derrapada e mandou ver um “fiquei horrorizado com a declaração do general Mourão, vice do Bolsonaro, de que as crianças criadas pelas mães e avôs são desvirtuadas. Isso é uma ofensa às mães que criam seus filhos com dificuldade, com sacrifício, às vezes dois, três filhos, sozinhas. Às avós que são verdadeiras heroínas. É lamentável esse tipo de coisa.”

Estatísticas, estudos e levantamentos, garantem que essas afirmações não estão de todo erradas, que a presença da figura paterna é importante na formação do caráter da pessoinha e tal (também depende do pai, né? Ser for um como o goleiro Bruno é melhor que o guri seja criado pela avó, pelas tias, pelas vizinhas e até mesmo por quem estiver passando pela rua), mas a generalização provoca a ira das que ralam pra criar seus filhos ou netos sozinhas.

Quem está certo? Quem está errado?

Chi lo sa! A verdade é que declarações polêmicas como essa, sempre causam espanto nas pessoas. No entanto, o que causa mais espanto ainda, não é o teor dessas falas, mas as reações manifestadas pelos torcedores fanáticos, de ambos os lados.

Quem é mais da esquerda, apóia o discurso do ex-presidente americano e jura de pé junto que as estatísticas estão ao seu lado. Quem é da extrema direita, execra as palavras proferidas por Barack Obama, por ser ele “um comunista”. (Pensamento típico da extrema direita. Quem não está do seu lado, é comunista e ponto final). Contraditoriamente porém, aplaude as mesmas palavras quando saídas da boca do general Mourão!

Não dá nem pra tentar entender. Afinal, sabemos que o que sai de bunda de criança e de cabeça de fanáticos (de qualquer ordem) é a mesma coisa!

Vera Vaia é jornalista
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