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As ideias de Tite

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17 de março de 2018
Por Marcel Capretz

Convocação de seleção brasileira é sempre algo polêmico e que gera discussão. Invariavelmente há discordâncias e 'amáveis sugestões' ao treinador. Os convocados de Tite nesta semana não fugiram à regra. Até por ser a última antes da chamada final para a Copa do Mundo, muito se questionou o lateral Fágner, o zagueiro Rodrigo Caio, os atacantes Taison e William José, entre outros. Há até aquele que discorda do terceiro goleiro, um personagem sem relevância no contexto geral.

Prefiro, porém, discutir ideias do que discutir nomes. Por isso me agradou muito a convocação de William José. Ele tem uma característica que nenhum outro atacante convocado tem. William é bom no jogo aéreo, segura pelo menos um zagueiro adversário e faz bem o pivô. E ele é mais um exemplo de como o jogador brasileiro é mal treinado e mal trabalhado por aqui. Com estímulos e treinos melhores, um atleta que é alvo de piada no Brasil pode surpreender e se dar bem na Europa. Casemiro é o maior expoente disso.

Tite é hoje uma unanimidade no Brasil muito por conta de suas habilidades interpessoais, sua comunicação e carisma. E saber se cercar de pessoas qualificadas também pode ser considerado uma virtude. Mas Tite nunca foi um treinador marcado pelas grandes organizações ofensivas de suas equipes. E é isso que me preocupa. É claro que todo profissional pode evoluir e Tite tem apontado em suas últimas entrevistas um estudo profundo das relações com a bola do Manchester City, de Pep Guardiola, maior perito em conceitos ofensivos do mundo. Quando enfrentarmos seleções fechadas, compactadas com uma última linha defensiva de cinco jogadores, não tenho total confiança nas ideias ofensivas da seleção.

William José é um passo para tentar algo diferente. Mas Tite e sua comissão técnica precisarão de mais conceitos coletivos para não ficarem refém apenas das individualidades.

Marcel Capretz é jornalista esportivo
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