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A culpa é sempre deles. Não nossa…

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7 de novembro de 2017
Por Marcel Capretz

O futebol como principal expoente do nosso país reflete em muito o que somos como sociedade. Reproduzimos no campo, nas discussões e nas avaliações dos jogos e campeonatos, a forma de ver todas as outras coisas. Obvio que temos exceções e nenhuma generalização é inteligente. Mas dentro de incontáveis coisas maravilhosas, temos arraigados, desde a colonização portuguesa, alguns conceitos no inconsciente coletivo como terceirização da responsabilidade, assumir sempre papel de vítima (Nelson Rodrigues eternizou o 'complexo de vira-latas'), corrupção, jeitinho 'brasileiro' etc.

Trago tudo isso para contextualizar meu incômodo com a reação do Palmeiras após a derrota diante do Corinthians no último domingo (5). E já esclareço: se fosse do outro lado, se o Corinthians perdesse nas mesmas circunstâncias, iria reagir do mesmo jeito. Tudo porque está embrenhado em nós; não assumimos a responsabilidade por nossos resultados. A culpa é sempre do outro. Somos sempre prejudicados e garfados. E por aí vai. Se ainda não ficou claro vou repetir: nada contra o Palmeiras. Mas tudo contra a nossa pobreza de avaliação.

O Brasil perdeu de 7 a 1 para a Alemanha só porque o Neymar não jogou? Não! O Palmeiras perdeu de 3 a 2 do Corinthians só por conta da arbitragem? Também não.

A seleção foi humilhada em 2014 porque Neymar não jogou, porque Felipão está ultrapassado, porque os jogadores não tiveram controle emocional, porque a CBF só faz mal ao nosso futebol, porque nosso calendário é uma piada, porque 90 por cento dos jogadores aqui no Brasil ganham menos de mil reais e têm emprego só três meses por ano, porque nossos jogadores e treinadores não sabem treinar e ainda pensam que na individualidade e não no coletivo vão ganhar quando quiserem. Tudo isso somado culminou com o 7 a 1.

O Palmeiras perdeu do Corinthians porque a arbitragem errou e porque o Corinthians teve mais força e controle mental, foi mais eficiente na conclusão das jogadas, conseguiu ser mais assertivo nas suas ideias de jogo como compactação (ofensiva e defensiva), mobilidade e triangulação pelos lados do campo e soube aproveitar a estratégia errada do Palmeiras em utilizar uma marcação alta, obtendo assim uma letal profundidade nos ataques rápidos.

Enquanto não analisarmos o todo e não apenas as partes não vamos evoluir nem no futebol nem como sociedade. Vamos continuar fazendo uma ingênua caça as bruxas ao invés de assumir nossas responsabilidades. Se eu ganho sou bom. Se perco, foi alguém que me prejudicou. E seguimos nesse ciclo vicioso que só nos impede de evoluir.

Marcel Capretz é comentarista esportivo

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