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É líder por conta do padrão ou tem padrão por que é líder?

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27 de agosto de 2018
Por Marcel Capretz

Os torcedores aqui no Brasil têm se acostumado a cobrar de suas equipes 'padrão de jogo'. E pouco a pouco o entendimento passa a ser que a distribuição espacial em campo (4-4-2, 4-3-3 etc) não tem tanta relevância quanto o comportamento dos jogadores nas quatro fases do jogo - transição defensiva, transição ofensiva, ataque e defesa, desconsiderando bola parada. Até porque a própria formatação dos jogadores muda se o time está com ou sem a bola. E quem tem mais motivos para ficar satisfeito quanto a repetição de padrão é o torcedor do São Paulo.

É possível ver claramente que na equipe de Diego Aguirre há conceitos perfeitamente assimilados por todos no grupo. Sai jogador e entra jogador na equipe titular e podemos ver os mesmos comportamentos.

Não discuto beleza em modelo de jogo porque acredito que isso seja muito subjetivo. É claro que encanta ver, por exemplo, os times de  Pep Guardiola valorizando a posse de bola e criando chances de gol a partir da geração de elaborados desequilíbrios nos adversários. Mas também vejo traços bonitos em uma defesa marcando em bloco baixo, com linhas bem compactas e saindo em eficazes contra-ataques.

O São Paulo hoje é um time que tem uma defesa muito sólida, que marca por zona, flutuando em função da bola. É verdade que Eder Militão faz falta, mas Bruno Peres tem melhorado na defesa e gerado mais opções ofensivas.

No centro da defesa, pode jogar Bruno Alves ou Anderson Martins ou Arboleda ou até Rodrigo Caio que a postura é a mesma.

Em organização ofensiva, o Tricolor busca as triangulações pelos lados do campo, utilizando Nenê (foto) como vértice ao lado de Everton/Rojas e os laterais. Diego Souza tem entendido cada vez mais a função de centroavante, seja se posicionando para finalizar ou para abrir espaço a quem vem de trás.

As transições do líder do Brasileirão também são bem marcantes: assim que retoma a posse, a equipe procura ou Reinaldo ou Nenê para a execução do passe longo. Everton, Rojas e Diego Souza atacam o espaço e buscam a melhor forma de gerar superioridade numérica de acordo com a balanço defensivo do adversário. Já quando perde a bola, o São Paulo tenta uma leve pressão para temporizar a jogada e logo em seguida busca recompor suas linhas de marcação.

Já tive a oportunidade de entrevistar Diego Aguirre e ele me disse que adotou esse modelo por entender as características dos jogadores. Faz sentido. Toda boa ideia precisa de boa execução e quem dá vida a qualquer modelo de jogo é o atleta.

O aspecto emocional do time também conta muito, influenciando diretamente no jeito de jogar e agora será colocado a prova até o final do ano. O São Paulo tem se mostrado um time confiante, resiliente e persistente. E vai precisar cada vez mais dessa inteligência psicológica porque os adversários estarão cada vez mais sofisticados na análise das forças tricolores e sedentos por bater o líder do campeonato.

Marcel Capretz é jornalista esportivo
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