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Hoje o Flamengo é o melhor. Amanhã, eu não sei

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9 de setembro de 2019
Por Marcel Capretz

O Flamengo é hoje inegavelmente quem joga o melhor futebol no Brasil. Isso não quer dizer que vá erguer algum troféu no final do ano. Até porque dentro desse mesmo Brasileirão, por exemplo, já tivemos o Santos de Jorge Sampaoli apresentando o jogo mais vistoso e até o Palmeiras de Luiz Felipe Scolari se destacando naquela série imbatível no começo da competição. Nenhum deles, porém, conseguiu manter o alto nível - tanto que o Verdão até já trocou de treinador. Pontuo isso para já de cara colocar tranquilidade e calma no empolgado flamenguista.

O técnico Jorge Jesus tem conseguido extrair o que cada jogador do elenco rubro-negro tem de melhor. Situação bem diferente da vivida pelo seu antecessor, Abel Braga. E não vale aqui falar que o treinador português tem um elenco milionário nas mãos e conseguir bons resultados não passa de uma obrigação (Abel tinha praticamente o mesmo plantel). O conceito de time é muito complexo. O todo é maior que a soma das partes. Se não houver um bom trabalho por trás, ter "apenas" bons jogadores não basta. E aqui vai o elogio ao treinador flamenguista: há muita ideia e conceito no time dele.

O Flamengo hoje é um time que ataca de maneira muito vertical. Com o conceito de ataque rápido muito bem entendido por todos os jogadores, o objetivo é chegar com poucos passes ao gol adversário. Trocas de posição no setor ofensivo, assim como sempre ter muitos jogadores à frente da linha da bola, fazem parte desse conceito. Na defesa, a agressividade nas ações sem a bola chama a atenção na equipe carioca. Independentemente de sustentar mais as linhas ou buscar algo mais individual, a marcação flamenguista se caracteriza por sempre colocar pressão no adversário.

Todos esses conceitos são frutos do trabalho do treinador. Não adianta falar para os jogadores realizarem determinada ação em campo. É preciso treinar, adaptar, aprimorar e, mais do que isso, vender as ideias aos atletas. E esse trabalho de convencimento também é mérito de Jorge Jesus. Mais do que nunca, as competências interpessoais e de comunicação e liderança são exigidas e devem ser reconhecidas quando aparecem.

É bobagem querer dizer que esse time do Flamengo jogaria as principais ligas do mundo em condições de ser campeão. Nem levo em consideração declarações assim (dadas pelo próprio Jesus) porque com contextos diferentes não dá para fazer nenhum tipo de comparação. Hoje, no momento que escrevo esse texto, o Flamengo joga o melhor futebol em território brasileiro. Na semana que vem, no mês que vem, ou como diriam os antigos, "no balanço das horas", tudo pode mudar. O bom time de hoje não é necessariamente o campeão de amanhã. Mas dá gosto de ver...

Marcel Capretz é jornalista esportivo

 
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