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O futebol europeu conhece nossas joias antes de nós

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6 de agosto de 2018
Por Marcel Capretz

Lembro de que há alguns anos lamentávamos que os clubes europeus vinham ao Brasil e levavam nossos jogadores que estavam no auge da carreira. A queixa dos torcedores era de que quando os melhores atletas atingiam o ápice técnico e físico vinha algum time de fora e pagava uma fortuna para levá-los.

Nosso futebol continua sendo exportador. Mas agora não é mais no auge que a Europa vem buscar nossos melhores jogadores. E sim na base, nas categorias menores. Na adolescência deles.

Não é acaso o Real Madrid contratar Vinícius Junior com 16 e Rodrygo com 17 anos. Ou Gabriel Jesus com 19 anos já ser do Manchester City. E agora Eder Militão com 20 ser do Porto. Esses jogadores muitas vezes nem estão maturados fisicamente. Mas já despertaram a atenção de quem faz futebol em alto nível no mundo e que, definitivamente, não está nesse jogo para rasgar dinheiro.

Primeiro ponto a ser destacado é a evolução da análise de desempenho. Esses gigantes clubes mundiais possuem departamentos de inteligência que contam com o que há de melhor em capital humano e tecnológico. Há observadores técnicos fazendo análise de mercado em todo o mundo. E esse tipo de scout é feito desde o sub-11. A Europa conhece nossos jogadores antes de nós.

Outro aspecto importante é que a maioria dos nossos técnicos de base e até mesmo dos times profissionais não está atualizada com o que há de melhor para formar e potencializar jogador. Há um leve movimento de melhora nesse aspecto, mas ainda estamos pelo menos vinte anos atrasados com relação ao alto nível mundial. Na base, o técnico do sub-13, por exemplo, ganha menos do que o do sub-17. E o jeito para crescer na carreira muitas vezes é ganhando jogos e campeonatos. Então o objetivo passa ser ganhar e não formar. E depois no profissional grande parte dos técnicos apenas suga os atletas e não busca melhorá-los em suas deficiências. A desculpa é que não há tempo. Quando na verdade falta conhecimento para potencializar as virtudes e ajustar as fraquezas.

Os clubes europeus atentos a essa defasagem dos nossos profissionais e até observando as condições dos jogadores brasileiros que chegavam já com mais de 23 anos sem algumas valências técnicas, coletivas e até cognitivas de jogo decidiram vir buscar os atletas cada vez mais jovens para que eles pudessem terminar por lá o processo de formação.

Há garotos de 13, 14, 15 anos aqui no Brasil sendo observados por analistas das principais potências do futebol mundial. São avaliados itens como trato com a bola, resolução dos problemas de jogo, capacidade de se comunicar dentro de campo com e sem a bola, potência física e padrão de resposta mental às adversidades que a complexidade do futebol traz. Se a maioria desses itens for atendida os jogadores serão comprados por muito dinheiro e com pouca idade. O aprimoramento eles fazem por lá. Bem melhor lapidar um jogador enquanto há tempo. Dinheiro, inteligência e metodologia para isso não falta no alto nível do futebol europeu.

Marcel Capretz é jornalista esportivo

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