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O paradigma do ‘eu’ no futebol brasileiro

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20 de janeiro de 2018
Por Marcel Capretz

Nossa cultura futebolística sempre valorizou o individual. Quando você, na infância, jogava sua pelada quem era o 'cara'? Quem driblava ou quem dava assistência? Pois é... drible envolve a grosso modo uma ação individual ao passo que uma assistência é algo coletivo, trazendo minimamente quem passa a bola e quem a recebe.

Bem, você já está cansado de ouvir que o futebol mudou nos últimos quinze anos. É claro que características individuais continuam sendo importantes, diferenciais e uma marca dos nossos jogadores pelo mundo. A pedagogia da rua vai nos acompanhar para sempre. Mas só isso já não está sendo suficiente para atuar em excelência nos centros de mais alta performance futebolística do mundo.

Um drible, para continuar no mesmo exemplo, envolve as quatro esferas básicas do jogo:

1 - o gesto técnico

2 - a tática de saber se esse drible será para frente, para o lado ou para trás

3 -o físico, a valência motora para realizar a ação

4 - o emocional, envolvendo a confiança para tal gesto.

Porém a questão é que com o estudo prevalecendo sobre o empirismo existem mil maneiras coletivas de combater o gesto individual.

Um bom treinador, minimamente antenado com o que há de mais contemporâneo, sabe que uma de suas principais funções é criar mecanismos para o individual prevalecer apostando no jogo coletivo e não apenas depender do craque para resolver o jogo. Padrões ofensivos como apoio, amplitude, penetração e ultrapassagem são todos feitos em equipe.

Por outro lado, há princípios defensivos, também coletivos, para neutralizar essas ações: cobertura, compactação, retardamento etc. Repare que não falamos de marcação individual. O 1 contra 1 não é mais o principal recurso.

Volto para a pelada de nossa infância lembrando de quem seria o garoto grandão que jogaria na defesa e bloquearia o garoto bom de bola driblador?! Hoje a marcação zonal prevalece sobre a individual. No máximo, podemos ver a marcação individual por setor. Ou seja a responsabilidade de marcar um grande jogador é da equipe e não apenas de um único atleta.

Quero trazer aqui o olhar para o coletivo, para ideias de jogo, conceitos que não visam o individual para resolver e sim auxiliar o individual para que esse auxilie a equipe.

Marcel Capretz é jornalista esportivo
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