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A queda do São Paulo

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16 de outubro de 2018
Por Marcel Capretz

A cultura do oito ou oitenta ainda prevalece no futebol brasileiro. Se ganhar é o melhor do mundo, mas se perder não serve nem para o time do bairro. Sem falar na famigerada cultura dos 'três jogos de prazo' que aniquila a ousadia dos treinadores por aqui.

Diego Aguirre está indo do céu ao inferno como técnico do São Paulo. Da inesperada liderança, que veio acompanhada da comemorada não ida para a seleção uruguaia, ao amargo quarto lugar de agora, após perder - jogando mal - para o líder Palmeiras e para o vice-líder Inter, ele tem sentido na pele como muitas vezes a superficialidade da análise apenas do resultado pode ser perigosa e cruel.

O Tricolor chegou a liderança do Brasileirão tendo um modelo de jogo muito claro e definido. Defendendo, a equipe marcava por zona, buscando sempre diminuir o campo de ação do adversário. Isso exige muita velocidade, tanto física como de raciocínio e, empiricamente, é visto como raça. O torcedor adora.

Nas transições, essa intensidade também era muito bem executada. Tanto para retomar a bola após a perda, como para contra-atacar quando recuperava a posse. Para atacar, porém, quando enfrentava equipes bem postadas, havia uma dificuldade em propor o jogo. Mas logo após a Copa vieram alguns bons resultados mesmo com essa dificuldade, muito por conta da intensidade e volúpia que já citei.

E vale aqui também uma análise do ambiente - a chegada de Felipão no Palmeiras é um grande exemplo de como as relações interpessoais internas podem aparecer e influenciar o resultado dentro de campo. E por mais que não tenhamos acesso a maior parte do que acontece de fato nos bastidores, era possível ver um grupo de atletas bem harmônico no São Paulo. Comemorações de gol, matérias e fotos dos próprios atletas retratava um grupo bem coeso. Tudo claro sustentado pelas vitórias.

Vamos agora então a queda tricolor, que pode ser explicada por vários fatores - em uma visão sistêmica nunca é apenas uma parte que desestabiliza o todo. A saída de Eder Militão e as constantes lesões de Everton tiraram duas referências importantes do modelo de jogo. Por mais que Bruno Peres e Liziero (que foi quem mais jogou pela esquerda) sejam bons jogadores, a questão nunca é trocar um jogador por outro com a mesma ou até com mais qualidade. É questão de ajuste, de característica, de entrosamento. E com um elenco curto, muitas vezes quando houve necessidade de outras trocas a qualidade caiu demais.

As ideias de jogo de Diego Aguirre também não evoluíram. O São Paulo jogou com os mesmos conceitos, mas sem criar novas variações, novos comportamentos. Os adversários aprenderam a neutralizar os pontos fortes da equipe, por isso a impressão de queda individual de Nenê, Diego Souza, Reinaldo e outros jogadores que antes eram tido como destaques.

E como efeito dominó, se o resultado positivo sustenta um bom ambiente, o contrário também acontece. Uma sequência ruim tira a confiança, a segurança e apresenta algumas mazelas dos relacionamentos entre jogadores e comissão técnica que antes ou não existiam ou não vinham a tona.

Restam nove rodadas para o término do Brasileirão. É claro que se trata de um jogo imprevisível e caótico. Entretanto não vejo potencial de crescimento para uma reviravolta no São Paulo visando a conquista do título. A realidade será segurar uma vaga na Libertadores do ano que vem.
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