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Festa da Uva 2020 tem estudo para ganhar mais um fim de semana

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4 de fevereiro de 2019
Evento agita a cidade e também gera resultados importantes na economia


José Arnaldo de Oliveira

Os números estão na ponta da língua. Em apenas dois fins de semana a 36ª Festa da Uva e 7ª Expo Vinho circulou R$ 12 milhões dentro do parque, na estimativa do gestor de Agronegócio e Turismo, Eduardo Alvarez, chegando a R$ 20 milhões se incluindo os passeios de turismo e hospedagem, na estimativa do gestor de Cultura, Marcelo Peroni. A estimativa com o fechamento do último fim de semana pode chegar até a R$ 20 milhões no primeiro caso ou em torno de R$ 30 milhões no caso ampliado. Mas o efeito bem maior, na avaliação antecipada, é dispersa ao longo do ano. O sucesso é tanto que já se estuda ampliação para quatro finais de semana em 2020.

Com um patamar esperado em torno de 170 a 180 mil visitas, incluindo muitas pessoas de outras cidades ou até países, a festa feita por aproximadamente 1 mil empreendedores rurais ou sociais (em grande parte voluntários) tem investimento público como maior evento anual do agronegócio – tendo a partir de 2013 o protagonismo da uva Niagara Rosada como atração principal.

“A visibilidade do turismo rural tem efeitos muito positivos para toda a cadeia produtiva nessa valorização”, comenta Alvarez, citando exemplos como o alto preço alcançado pelas frutas premiadas – que exigem até quatro meses de trabalho especial no cultivo - nos leilões beneficentes dos domingos.

Nesse ponto, tem a concordância de Peroni. “Um efeito indireto também é a valorização dessa tradição cultural entre os filhos e netos dos agricultores, que passam a enxergar a viabilidade do ambiente rural”, diz.

Ele também destaca o turismo como parte do que se pode enxergar como um painel de economia criativa na festa, ao lado da gastronomia, do design, do artesanato, da música, do teatro, da fotografia e do patrimônio.

Somente na agricultura em si, a expectativa mais conservadora indicava vendas diretas de mais de 80 mil quilos de frutas frescas em uma safra local beneficiada por condições climáticas – apesar do calor – dentro de um processo na maioria das vezes iniciado na madrugada. E ainda a venda e divulgação de mais de 100 mil litros anuais de vinho nas adegas familiares.

A divulgação do turismo também é apontada como positiva. Muitos visitantes de outras cidades recebem um mapa elaborado pela equipe do setor, liderada por Marcela Moro – que recriou o formato comunitário da festa em 2012 aplicado a partir do ano seguinte pelo governo da cidade.

“Além das diversas rotas atendidas por agências locais na festa, tivemos um destaque com a nova rota do Centro Histórico em pontos de visitação atendidos por um ônibus antigo”, comentou Peroni.

Na parte menos visível, ele aponta para o fato de muitos moradores jovens ou recentes da cidade descobrirem, na festa, o motivo de Jundiaí ser conhecida como Terra da Uva (o surgimento da uva Niagara Rosada em 1933).

Trinta banners sobre curiosidades locais foram espalhados pelo parque, assim como imagens referentes a ferrovia e trens, réplicas de casas e vilas em estilo italiano, fotos de personagens e materiais antigos e até parreiras de verdade no caminho dos visitantes. Além, claro, de geleia de vinho, pão de uva e até cerveja artesanal com vinho ou uva.

É um recorte do tempo dessas uvas, claro, porque com quase 400 anos a cidade tem muita coisa perdida da fase colonial – inclusive indígenas e africanos.

Mais complicado é o limite de atrações culturais. Foram 135 delas entre música, circo ou teatro, envolvendo em torno de 500 pessoas – mas o número de interessados foi várias vezes maior.

A curadoria, nesse caso, aposta o orçamento disponível na diversidade para todas as idades do sertanejo raiz ao rock e MPB, mas com um foco na visitação de famílias, incluindo as atrações para crianças como ocorreu com a Casa do Bambino. E também no reforço da imagem da uva, como nos eventos da Parada, o Cortejo ou o Trilha da Uva. A ampliação do número das onipresentes vinhateiras, indicadas pelos bairros rurais, atendeu a essa linha.

“Foi uma busca da experiência do visitante, que também envolve cultura”, destacou Peroni.

A tradição está até em coisas como o pico de público na noite de sábado e no início da tarde de domingo, comum nas festas comunitárias e eventos locais. Como outros chefes de governo antes dele, o prefeito Luiz Fernando Machado também foi visita constante – geralmente pelas manhãs.

Com 85 anos de existência desde a primeira edição – e há 60 anos sediada no seu próprio Parque Municipal Comendador Antonio Carbonari, onde visitantes mais antigos sentem saudade da concha acústica – a festa é difícil de ser replicada. Mas tem buscado a renovação, com a atual cobrança de resultados que caracteriza tempos atuais.

Pelo lado da agricultura, a consolidação do subsídio de seguro agrícola ou o lento avanço dos projetos de pagamento de serviços ambientais. Pelo lado da cultura, a convergência gradual para o debate de economia criativa há tempos buscado na cidade. Entre ambos, a ponte do turismo e da inovação em construção.

Se mantiver os números do ano passado, a edição de 2019 estará garantindo a importância do evento. Mas se ultrapassar, pode estimular novidades para o fortalecimento rural e ambiental na cidade. Que venha o ano que vem com a Festa da Uva ampliada...
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