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Padre José Carlos Pedrini encara desafio de atrair novos fiéis

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25 de maio de 2018
Pároco da Igreja da Colônia vê a Festa Italiana como chance de destacar o voluntariado e a fé traduzida em obras

Edu Cerioni

De bermuda, sandálias de couro, camiseta e boné, o padre José Carlos Pedrini circula pelas dependências da Igreja da Colônia como se estivesse realmente em casa. Um ano depois de assumir a Paróquia Sagrado Coração de Jesus, ele recebeu o JundiAqui para uma entrevista. Durante a tarde, interrompida algumas vezes por telefonemas e visitas, contou que a renovação dos fiéis é seu grande desafio e que acredita que a Festa Italiana seja uma boa oportunidade para que mais pessoas vejam a beleza do trabalho voluntariado e também ajudem nessa luta em favor dos menos favorecidos.

Ele se refere a pessoas que moram em comunidades pobres nas vizinhanças e que são beneficiadas pela festa, assistidos de entidades como Bem-Te-Vi e Instituto Jundiaiense da Visão Luiz Braille e também os haitianos que estão chegando na cidade e encontram ajuda ali. "Temos os vicentinos, o Clube de Mães, a Pastoral dos Imigrantes, a Casa Esperança e Vida em um trabalho constante de ajuda a necessitados. São cerca de 200 líderes animadores nas mais diversas pastorais. É um exército bom, mas cabe mais gente", avisa.

Para ele, "nosso país vive em nuvens escuras, e isso mexe com a fé das pessoas. Mas acredito que dias melhores virão. Esse tem que ser o nosso lema", disse.

Seu trabalho de formiguinha vem dando resultados. Conta que são cerca de 3.000 fiéis frequentando as missas dos finais de semana, algo em torno de 12% da população em seu território paroquial. "É um número consistente. Pode melhor e é por isso que estamos aqui. E vejo com bons olhos que temos muitos idosos sim, mas nunca vi em lugar nenhum em que passei tantos casais jovens com filho de colo. Isso anima a nossa Igreja".

O padre José Carlos dedica pelo menos duas horas diárias à leitura, especialmente de livros religiosos e também do jornal "Folha de São Paulo", para se atualizar. Não tem computador nem celular. Antes de assumir a Igreja da Colônia, foi diretor financeiro do Instituto Cristóvão Colombo, em São Paulo - movimentava R$ 300 mil ao mês para atender 220 crianças.

Nascido em 28 de maio de 1943, lembra que fará 75 anos em meio à Festa Italiana. E quer comemorar junto aos voluntários. São cerca de 800 (pelo menos 100 jovens) trabalhando entre 19 de maio e 10 de junho nas duas cantinas, com 80 coordenadores de barracas e setores. "É uma engrenagem que tem que funcionar perfeitamente", compara. O tema “Festa é vida: Alegria compartilhada!”, fala que saiu do seu "coração e da cachola".

Ele explica que as equipes estão treinadas para o diálogo respeitoso e acolhida dos visitantes, para que estes se sintam em casa também. "São 30 anos de tradição da nossa festa e não girando sobre si mesma, mas em espiral sempre subindo".

Para o padre José Carlos Pedrini, festejar é próprio do ser humano e o que espera da Festa Italiana é primeiro o compartilhamento. "Valorizamos o encontro, a amizade e a alegria. Tem que ter sabor de fraternidade e perspectiva de esperança... O outro lado da medalha é aferir recursos sobretudo para nosso trabalho social e até para contemplação de obras físicas. Temos um terreno no Jardim Lírio e queremos erguer ali uma capela".

O escritório do padre tem uma foto do Papa Francisco e pergunto se este é um religioso realmente especial. "Graças a Deus, o Espírito Santo sabe agir na hora certa. Ele tem a preocupação não com a Igreja hierárquica, mas com a situação de pobreza e injustiça que milhões de excluídos do banquete da vida humana vivem. O Papa Francisco entende que o mundo é a casa que Deus deu para todos, mas que foi roubada por estruturas econômicas egoístas e cumulativas dos concentradores de riquezas e não se cala diante deles."

O pároco insiste em um ponto: "A fé tem que ser traduzida em obras, isso é necessário. Em 2017 o Papa mandou celebrar o Dia Mundial da Pobreza e fiquei muito feliz. É para que todos entendam que nossa fé eucarística tem que ter uma dimensão social".

Um orgulho foi ter criado a Pastoral do Imigrante. Lembrou que seu antecessor, padre Carlos Cigolini, fez um trabalho interessante com os haitianos, pontual e ocasional, e que agora as famílias da Colônia e vizinhanças estão estendendo mais sua mão em generosidade com esses que vêm ao Brasil em busca do sonho de uma vida melhor.

"No começo foi assim com os imigrantes italianos, agora os haitianos e em breve também venezuelanos. Cheguei a ver haitianos nas ruas, por isso a pastoral vem trabalhando forte e conseguindo doações, como camas, colchões e todo tipo de ajuda. Lembre-se: nenhuma dor humana pode ser estranha ao cristão de boa vontade". A arrecadação das missas do terceiro domingo de cada mês é para os pobres, reforça.

Outro orgulho é saber que Adriano Rafael da Silva, filho da paróquia, fez sua profissão perpétua e vai ser ordenado padre no começo de 2019. "Temos que crer no pai, mãe e mão criadora de Deus. Temos que crer no Espírito Santo que dá ânimo, firmeza, esperança e coragem. Não tenha medo, o Espírito Santo sempre vai estar com você, nos ensinou Jesus".



Fotos: Edu Cerioni

Matéria integrante do jornal TUTTO È FESTA 2018, que você pode pegar um exemplar gratuito no comércio da Colônia ou no Maxi Shopping, no balcão de fidelidade - ou click aqui e vire as páginas virtualmente.

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