Jundiaqui
Jundiaqui

DES.COBERTOS

Jundiaqui
11 de junho de 2018
Rios e córregos viram espetáculo visual em Jundiaí, com visitação gratuita no Sesc

Um enorme painel digital em forma de mesa apresenta sob diversos ângulos o espetáculo animado do mapa da cidade sendo formado aos poucos pelos rios, riachos e córregos que levam as águas para o rio Jundiaí. Outra aumenta a perspectiva para como tudo isso forma também uma parte da gigantesca bacia do rio Tietê, onde uma simples gota (como de uma lágrima) pode percorrer milhares de quilômetros até juntar-se ao oceano pelo rio da Plata.

É um show. Mas um detalhe é chamar a atenção para a parte desses rios ou nascentes que simplesmente tapamos durante o crescimento das cidades. Alguns deles, inclusive, estão muito próximos do local da exposição no Sesc.

Uma pergunta central desse evento, chamado “Rios Des.cobertos”, é sobre qual foi a última vez em que você tomou um banho de rio. A maioria de todos nós vai tentar lembrar de alguma viagem ecológica ou familiar, mas a resposta é óbvia e está bem na nossa cara. Foi hoje mesmo, ou no máximo ontem. A torneira, o chuveiro ou a tubulação não devem nos alienar.

São boas sacadas como essa que fazem a alma do projeto que já passou por São Paulo e por Piracicaba e fica em Jundiaí até o final de agosto antes de culminar o circuito em Campinas.

Mas a estrela, não tem como negar, é o uso da tecnologia nas mesas digitais que mesclaram o geoprocessamento de dados em QGIS com efeitos visuais em diversas leituras escolhidas.

Se para estudantes de qualquer idade esse formato torna as coisas interessantes, para a maioria dos adultos é uma maneira nova de enxergar as informações. Um exemplo é o painel dos municípios paulistas por uso de água superficial, mista ou subterrânea. E também veteranos podem surpreender com a citação ao riacho dos saguis ou a ruas construídas sobre trechos de córregos entubados.

A concepção e produção do Estúdio Laborg e a curadoria do Rios e Ruas notaram a singularidade do rio Jundiaí como caso único no Brasil entre rios que melhoraram sua classificação (de classe 4 para classe 3) no processo de despoluição que já tem 35 anos. A cidade também teve um levantamento extenso de quase 6 mil nascentes de água e de 928 fragmentos de matas nativas de biodiversidade no seu Plano Diretor, que entre outras coisas ampliou a atenção com a permeabilidade do solo. Mas os conflitos entre cuidados ambientais e interesses humanos sempre existirão.

O que faz a exposição, sem tratar diretamente desses temas, é colocar a água não apenas como uma substância para beber, cozinhar ou lavar coisas. Mas reconhece-la literalmente como a fonte da vida, uma das forças da própria história, um dos elementos da natureza que moldaram a paisagem ao longo de milhões de anos.

E, enfim, lembrar que a demanda de sermos mais responsáveis pela água existe também porque tudo isso forma uma grande beleza. E nada é tão perdido que não possa ser recuperado, inclusive associando conhecimento, sentimento, memória e tecnologia.

Jundiahy - Além das mesas virtuais, a exposição tem também elementos complementares como as placas feitas com materiais reciclados e diversas informações para os visitantes. Entre eles está um pequeno poema sobre o papel dos rios para o histórico centro interfluvial da cidade, que é parte da campanha educativa informal lançada em 2009 pelo cientista social José Arnaldo de Oliveira no site Jundiahy:

“O rio Jundiaí/passa/por aqui

O rio Guapeva/também/me leva

O córrego do Mato/é bem mais/que um regato

Margens do grande Centro/subindo/os quatrocentos

Por ladeiras/e largos

E outras maneiras/de sonhar

De conviver/E de ser e de estar...”



Agendamento – A entrada é gratuita e a exposição segue de terça-feira a domingo, até 26 de agosto. Pode ser vista a qualquer dia (9h a 21h30 nos dias úteis, 10h a 18h30 nos fins de semana). Para aproveitar melhor a visita com monitores, grupos e escolas podem fazer reservas em agendamento@jundiai.sescsp.org.br.
Jundiaqui
Você vai
gostar de

Música irreverente e que te abraça

Por José Renato Forner

Despacito, por favor

Por José Arnaldo de Oliveira

Protesto válido, mas inválido

Por Marcel Capretz

Trabalho sob fogo

Por José Arnaldo de Oliveira
Jundiaqui
Artigos assinados não representam a opinião do site. Esse conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seu autor.