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O plantador de sagu

Jundiaqui
23 de agosto de 2018
Por Thaty Marcondes

Uma (quase) lenda

Estava eu pelas bandas do Paraná, logo eu, filha de Jundiaí, estado de São Paulo, cidade conhecida como Terra da Uva, tendo em vista que o cultivo mostra-se extremamente propício devido à qualidade do solo e do clima, derivando produtos de sucesso e tradição - iniciada com a vinda dos italianos para a região. Há, lá por aquelas terras, mais precisamente na cidade de Ponta Grossa, um morador que se autodenomina fazendeiro, com terras a perder de vista no Mato Grosso. Mas o que importa, de fato, é a cultura desenvolvida em suas extensas terras férteis: sua magnífica plantação de sagu.

A imaginação do pseudo agricultor – e ultimamente também exportador confesso da iguaria – voa longe, quando ele descreve seus “saguzeiros” carregados em época de colheita (não se sabe quando), exibindo exuberantes cachos branquinhos, pendendo de frondosas árvores de pouco mais de metro e meio de altura, conforme suas palavras.

Se estivéssemos no Extremo Oriente, tal cultivo seria tido como absolutamente normal, (exceção aos “cachos de pérolas de sagu”), porém, em se falando de sagu tupiniquim, o mesmo é feito de fécula de mandioca.

O interlocutor, em princípio, chega a ficar em dúvida, dada a convicção e confiança com que o “fazendeiro de sagu” expõe sua plantação, que se desenvolve de forma magnífica, indo de vento em popa, tornando-o um grande investidor e bem sucedido homem de negócios “saguzeiros”, digamos assim.

Diz-se, à boca pequena, que ele até já está em conversação com conhecidas vinícolas do Sul do País, no intuito de “cruzar” sagu com uva, facilitando o preparo para as mais exigentes donas de casa e apreciadores do prato. O impasse seria a dosagem de álcool na raiz, para permitir a escolha do consumidor, conforme seu gosto, optando por sagu ao vinho ou ao suco de uva.

Será que seria possível também que se plantasse junto uma vaca, pra que já saísse pronta outra opção, ou seja, o sagu cremoso ao leite? Ele não pode esquecer também da cana-de-açúcar, para que tudo venha pré-fabricado, incluindo o sabor adocicado.

Viagens à parte, quando ouvi o relato da plantação, convictamente descrita pessoalmente, após conter o riso pela anedota tão engenhosamente maquinada para impressionar incautos e mocelhas (ou jovelhas, como queiram) com interesses outros, que não a simples degustação do sagu, propriamente dita, bem como o que acha que seriam "caipiras" de fora da cidade, fiquei pensando como seria a colheita, descrita na resposta como: dá em cachos de pequenos grãos, como cachos de uva!!! Então imaginei a trabalheira doida que deveria ser para colher e descascar... Arrisquei a pergunta, e ouvi: ah, mas a mão-de-obra é atenta, cuidadosa e muito bem treinada, pois se trata de produto delicado!

O mais engraçado de tudo, foi presenciar dois também visitantes descolados, modernos, naturais da Cidade Maravilhosa, espantados e crédulos com as afirmações do “rei do sagu”. A moça visitante ficou encantada, até esperou convite para conhecer paisagem tão diversa das calçadas de Copacabana, ai que bacana, diga não à banana, e vamos comer sagu!

E depois eu é que sou a caipira...

Nota:

Sagu é uma fécula extraída de várias espécies de palmeiras, chamadas popularmente saguzeiros, e que é utilizada como alimento básico no Extremo Oriente, feito a partir do amido processado que se acha no interior do tronco dessas plantas.

O sagu brasileiro é feito de fécula de mandioca, que por sua vez é um subproduto da moagem do tubérculo para a confecção de farinha. Provavelmente por extensão de sentido, conforme explica o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, os navegadores portugueses que transitavam entre América e Ásia associaram a palavra sagu à goma (amido) que os índios brasileiros extraíam da mandioca, a qual chamamos de tapioca. Como a palavra tapioca designa também uma iguaria específica, estabeleceu-se que a fécula da mandioca granulada em formato de pequenas pérolas seria chamada "sagu" no português do Brasil.
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