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Um novo significado para a velhice

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19 de maio de 2017
O jeito é se cuidar, porque passaremos mais tempo nesta fase do que em qualquer outra de nosso ciclo de vida

A expectativa de vida vem aumentando nos últimos anos no Brasil e no mundo. Viver mais já é um fato constatado. Agora, a pergunta que deve nortear nossas reflexões: “Como iremos viver esses anos a mais?”

De acordo com o Estatuto do Idoso e demais legislações internacionais, a pessoa idosa se refere àquela com idade igual ou superior a 60 anos. Há algumas décadas, chegar aos 60 anos era sinônimo de isolamento e dependência. Atualmente, com as práticas de autocuidado e o maior acesso aos recursos de tratamento e reabilitação em saúde, surgem outros significados para a velhice: vitalidade, produtividade e até certa jovialidade, tendo o parâmetro de que depois dos 60 virão mais 20, 30 anos ou mais.

Com o propósito de revelar uma nova perspectiva sobre o significado do envelhecimento lançou-se em 2015 o documentário “Envelhescência”, dirigido por Gabriel Martinez. O longa retrata a história de vida de seis pessoas que vivem muito bem depois dos 60 anos, demonstrando ser possível encontrar um equilíbrio entre ganhos e perdas na fase da velhice.

Os comentários de especialistas (Alexandre Kalache, Mirian Goldenberg e Mário Sérgio Cortella) enriquecem o debate sobre a “envelhescência” – termo que descreve a transição da vida adulta para a velhice. Assim, a “envelhescência” é a fase de desenvolvimento e transformação pessoal em todos os sentidos, apresentando-se como uma oportunidade de viver novas experiências.

Sobre essa disposição após os 60 anos, o médico e presidente do Centro Internacional da Longevidade, Alexandre Kalache, sugere a adoção do termo “Gerontolescência”. Assim como na adolescência em que há um período de adaptação para as novas experiências, geralmente em torno de 5 a 6 anos, a "gerontolescência" refere-se ao tempo de 20, 30 ou 40 anos vividos após os 60.

“Passaremos mais tempo na fase da velhice do que em qualquer outra fase do nosso ciclo de vida. Então, como poderemos aproveitá-la da melhor maneira? Com boas práticas de saúde durante a vida, sem exageros e com bastante envolvimento com a vida, será muito possível vivermos próximo ou além dos 90 anos”, afirma a gerontóloga Karina Flauzino, coordenadora do Centro de Educação, Lazer e Entretenimento para a Terceira Idade (CELETI).

“Viver a terceira idade parece ser um encontro consigo mesmo, muitos procuram resgatar antigos projetos de vida, outros buscam definir novos objetivos pessoais e familiares”, complementa Karina.

A criação de espaços educacionais e de lazer voltada especificamente para a terceira idade será cada vez mais necessária no futuro próximo. Em Jundiaí há duas experiências exitosas neste sentido, o CELMI e o CELETI que oferecem diversos cursos livres para maiores de 40 anos.
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