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Adhê Francisco, um pássaro livre

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5 de abril de 2018
Ele foi um artista de múltiplas faces e dono de um sorriso fácil que se despediu aos 35 anos



Edu Cerioni

Ademilson Francisco, 35 anos, caiu de cima do viaduto da Duratex, o Sperandio Pelliciari, ligação da Ponte São João com a Vila Arens, morrendo em plena manhã de Sexta-Feira Santa (30). Entrou para os registros policiais como "morte acidental". Já o multi artista Adhê Francisco, um budista que aparentava ser bem mais novo, simplesmente voou para a eternidade. Dançou no parapeito naquele feriado que viu nascer ao lado de amigos em um pub, simplesmente porque estava alegre, e alegria e dança eram sua vida.Adhê era um artista de múltiplas faces: dançava muito, mas também pintava, desenhava, escrevia, cantava, compunha, tocava e atuava. Não à toa foi definido pelo ator e diretor Claudio de Albuquerque como "Saci Pererê", e isso por mais de um motivo: era negro, parecia ter poderes mágicos e simplesmente sumia sem deixar vestígios. "Não curtia celular, então ninguém o encontrava por um tempo. Mas logo voltava e cheio de ideias", recorda.

Claudio diz que ainda não abriu uma pasta em que ele e Adhê vinham trabalhando o texto para o monólogo "Quenem", misto de teatro e dança programado para estrear este ano. "O Adhê foi o último a mexer ali e espero boas surpresas".Viradouro, onde nasceu, ficou pequena para Adhê logo na adolescência. Foi para São Paulo e lá fez espetáculos com o Vento Forte e outros grupos. Conheceu o pessoal de Jundiaí e se amarrou. Mas era do tipo nômade e sempre estava buscando outros ares.

Aqui, tocou nos Tambores de Inkice, no Maracatu Jundiaí, agitando o Carnaval do bloco Carne com Queijo. Deu aulas de dança folclórica na Prefeitura, no Casarão, no Barravento. Fez exposições de quadros, trabalhou com máscaras... deixou sua arte em paredes ou na base do pontilhismo em guardanapos de papel ou camisetas.Tão forte quanto sua arte era seu sorriso. Esse nunca vai se apagar da memória do diretor de teatro Carlos Pasqualin. "O Adhê deixou marcas nas artes e por uma alegria inigualável". "Ele estava no rolê sempre risonho, incrível. Era diferenciado, transformava o lugar" atesta o músico Jura Segle, da banda Aluá. "Vai fazer falta na cena cultural", diz o artista circense Uli Vertuan. Para o pessoal do Quintal do Anibal, "foi o maior brincante de todos".Budista, para quem a morte é somente um renascimento, Adhê ganhou preces no Centro Budista de Jundiaí essa semana. Marjorie Brandão resumiu o sentimento de todos ali: "Adhê é amor, é paz, é alegria. Uma pessoa que veio com a missão de despertar isso em nós, de uma simplicidade e carisma que não cabiam nele. Vivia ali e acolá, ele era um pássaro livre."

Fotos: reprodução Facebook de Cintia Carvalho e outros
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