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Amigos que tenho, amigos que perdi

Jundiaqui
30 de outubro de 2017
Por Wagner Ligabó

Amigos que tenho, amigos que perdi, porém a necessidade de relembra-los sempre.

Quinta-feira (26) no Teatro Polytheama, ocorreu a sessão solene onde os vereadores homenagearam um rol de pessoas distintas pelo valor que elas representam como partícipes de uma sociedade do bem e, portanto, com o mérito de serem lembradas. Foram 38 merecidas lembranças.

Eu escolhi duas figuras amigas queridas: a professora-doutora, poetisa, colunista e tantas outras sensibilidades ligadas às letras, a especial Sonia Cintra, mulher do querido amigo, o grande arquiteto Araken. A festa era dela. Com luvas e tudo!  Ela foi ‘super’ como oradora da noite, representando todos os laureados.

Um discurso repleto de leveza, sensibilidade e graça. Uma ode à Jundiaí que ela tanto ama, mas não tinha a cidadania. Era um desejo de infância, de seus 13 anos, quando para cá se mudou. Falou sútil e delicada sobre a cidade, suas lembranças, seus logradouros, sua querida Serra do Japi. Incisiva e com leveza abordou cidadania verdadeira, algo tão em desuso e o perigo desta ameaça.

Ser jundiaiense? Agora és querida Professora. Estás tão feliz quanto eu estou.

E o que dizer do momento da segunda homenagem? Aquela quando entreguei a comenda póstuma à Vera, esposa do exponencial jornalista Sandro Vaia, que nos deixou em 2016?

Prometemos que seríamos firmes, emoção comedida. Mas chegada a hora da entrega somente o nosso olhar e as lágrimas de saudades se manifestaram enquanto passava rapidamente, segundos diria, em nossas mentes um filme de vida de uma amizade tão sincera e honrosa... é uma história de família.



Difícil escrever algo que possa descrever aquele momento. Nada se via, nada se ouvia a não ser a imagem daquele vasto bigode espalhado em franco sorriso na face do tão querido Sandro.

Foi um privilégio ser amigo do Sandro, “o jornalista”.

O Sandro, editor-chefe do "Estadão" e do "Jornal da Tarde", o Sandro escritor, o Sandro pensador, da opinião sintética, precisa.

O Sandro, ilustre cultural, que incomodava os incautos. O Sandro palestrino. O Sandro marido da Vera, pai da Giu e avô da Analu. Foi um momento de luz.

“Me perguntaram: quanto vale um amigo? Respondi; não sei. Os que eu tenho ganhei. Não estão à venda e não têm preço...”

Estou em paz...

Wagner Ligabó é médico cardiologista e vereador
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