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Aquele abraço meu amigo Odilon!

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10 de dezembro de 2019
Marido de dona Ignezinha se foi e os músicos de Jundiaí perderam seu ouvinte mais atento

Edu Cerioni

Nem caixinha de fósforos ele batucava. O que Odilon Marques Lemmi gostava mesmo era de acompanhar a esposa, Ignezinha do Pandeiro, nas festas, principalmente no Bar Natura.

Ele sempre ocupava a mesa mais perto da roda de samba e ali curtia a noitada por horas seguidas entre um gole e outro de água e na maior contemplação.

Sorria aos amigos, sempre fechava os olhos na hora das fotos com flash e nunca reclamava da vida, das dores da idade, de nada.

Odilon morreu na noite da segunda-feira (9) do jeitinho que viveu: tranquilo, quietinho.

Chamou a companheira de 63 anos para que fosse assistir a seu lado no sofá o programa do "Ratinho" na tevê. Os dois davam bastante risada com as trapalhadas que viam na telinha semanalmente. Ela sugeriu um café, ele aceitou. Bebeu um gole, depois o segundo e logo colocou a xícara de lado. Um segundo depois seu coração já deixava de bater. Nem a xícara derrubou, evitando qualquer tipo de estardalhaço...

O máximo de barulho que Odilon se permitiu foi no Carnaval de cinco anos atrás, quando Ignezinha se tornou Rainha Hors Concours do Bloco da Ponte Torta e ele foi coroado Rei. Uma foto do casal com a faixa no peito e descansando na porta aberta da caçamba de uma picape rodou o Brasil. Foi feita por Marília Scarabello e enviada ao site UOL, que a destacou como a imagem principal do reinado de Momo naquele 2 de março de 2014. Odilon segurava na mão sua garrafinha de água.

Nos últimos meses, Odilon não saia da casa na rua Senador Fonseca, no Centro. Teve problemas de saúde, foi hospitalizado e orientado a ficar mais recluso. Mas ainda assim incentivava que Ignezinha fosse nas festas do Refogado do Sandi, no Natura e outras.

O aposentado da Companhia Paulista foi diretor do clube Grêmio, com história de sua criação ligada à ferrovia, e trabalhou também na Delegacia de Ensino. Deixa filhas, netos e a marca do ouvinte mais atento ao samba de Jundiaí. Em muitos que o conheço só pegou o pandeiro uma vez, a meu pedido, para imitar a mulher.



 

 
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