Jundiaqui
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Céu de estrelas

Jundiaqui
2 de novembro de 2017
Por Guaraci Alvarenga

Às vezes, a suave lembrança acorda a nossa saudade. A conversa entre amigos da bola, neste feriado de Finados caiu no ilusório imaginário...

Companheiros que partiram e nos fazem uma sentida falta. Logo surgiu a figura luminosa do treinador Benoni Pires, tantas vezes campeão na cidade. No gol, o porte do grande Luiz Evaldo, o Tuim. Goleiro amigo de tanto tempo.

Na lateral-direita não menos do que a classe do Sudatti, advogado nas horas vagas e que revezava com o primeiro dos alas, Abilio Viotto. A fantástica dupla de área: o querido Giuntini, mais lembrado como Fachetti, o zagueirão da seleção italiana, e o mestre Vicentinho, irmão do nosso Taio e pai do Edu. Na lateral-esquerda, o incansável dentista Cabeção.

Ali no meio-de-campo, a categoria que surpreende ao ver a silhueta do Santana, cabeça erguida, porte de atleta. Ao seu lado o magistral Helio Luis Lorencini, que chamava a bola de “você”, nunca a maltratou. O jovem Guará Meirelles, raça e habilidade jogavam unidas. Um trio de ouro, em cujos pés reluzia o brilhantismo da criação das jogadas.

Na ponta, o flecha-ligeira Macaco, certo que dividia meio tempo com o elegante Vagner de Moraes, o nosso eterno “Champagne”. Vejam o camisa nove, sublime no trato da bola, talento dourado incomparável dos clássicos tempos: o craque Tito Livio, notável pai do Naté. Lá na esquerda um dos grandes nomes do futebol do Clube Jundiaiense, o incomum Lelo Basile, o nosso cabecinha de ouro.

E a saudade foi além de um time só... Olha o nobre Langela, orgulhoso da sua famosa filha, a tenista internacional Glaucia. O centroavante rompedor, o inesquecível Piracaia. Tinha a valentia da impetuosidade dos goleadores. O ponta João Gazola, o intrépido Jurandir da Antarctica, o querido Jacaré. O lendário esportista Romão de Souza, o presidente que nos deu Marcel e Mauri campeões de basquete.

No centro do gramado, o inconfundível homem do apito daqueles tempos, o maior capitão deste centenário Paulista F.C, o idolatrado Martinelli. Quanta recordação!

Um por um, aqui estão reunidos personagens da minha própria fortuna pessoal afetiva. Este campo de futebol de sonhos guarda todos os sentimentos que este esporte cultivou em meu coração. Emociono-me ao recordá-los.

Ainda hoje pulsam no meu peito as jogadas, as minúcias do drible, a elegância do toque de bola, os fantásticos gols, as sensacionais defesas e a camaradagem amiga.

Sobre suas imagens deito um olhar de profundo respeito. Eles fizeram deste esporte a nitidez da pureza de sua inocência. A bola como amante de todos. A melhor homenagem que se presta aos mortos é não esquecê-los. Agora amigos eternos!

Guaraci Alvarenga é advogado
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