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Costura poética

Jundiaqui
26 de julho de 2018
Por Valquíria Malagoli

Talvez perseguir o belo – ofício dos fazedores de arte – seja um tanto perseguir, em essência, a verdade...

Talvez o próprio ourives, num movimento inconsciente e trágico, talhe o metal, suspeitando magicamente ter-lhe sido dado o poder de, fazendo-o, devolvê-lo à pureza em que, antes e perfeitamente, a natureza o moldara...

E, talvez pelo tanto que a solidão contribua para outra mágica, a da lapidação poética (e, antes que já se vá prejulgando, lapidar não significa frear a liberdade), a americana de Amherst, Massachusetts, Emily Dickinson (1830-1886), nos tenha legado obra tão consistente em sua leveza.

As convenções burguesas e as severas regras do puritanismo sob as quais nascera e fora criada, não foram impedimento para que desde cedo a repugnasse, por exemplo, às mulheres estar delimitado o espaço das ocupações caseiras.

Especula-se que por força de uma paixão desesperançada, aos poucos, foi encontrando seu lugar na reclusão do lar paterno, donde jamais conseguira desligar-se.

Após sua morte, a irmã encontra, e não queima, conforme lhe foi recomendado, sessenta cadernos – costurados à mão com linha simples.

Tais poemas (1775) e textos, sobretudo as cartas, são até os dias de hoje motivo de especulação entre seus biógrafos.

Vale-nos a leitura, seja motivados pelo simples deleite, seja pela provocação reflexiva em versos que circulam o tema da morte, assim como lobos em volta de uma fogueira, ora dispersos pelo quanto ela tem de assustadora, ora atraídos por que haverá detrás dela.

“Morri pela beleza, mas estava apenas/ no sepulcro acomodada/ quando alguém que pela verdade morrera/ foi posto na tumba ao lado./ Perguntou-me, baixinho, o que me matara:/ ‘a beleza’, respondi./ ‘A mim, a verdade, – são ambas a mesma coisa,/ somos irmãos’./ E assim, como parentes que certa noite se encontram,/ conversamos de jazigo a jazigo,/ até que o musgo alcançou nossos lábios/ e cobriu os nossos nomes.”

Valquíria Malagoli é poetisa e escritora
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