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Depois do tornado, volta a memória

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17 de abril de 2018
José Arnaldo de Oliveira escreve sobre Jarinu, que recupera sua praça e faz exposição na estação de trem

José Arnaldo de Oliveira

A velha estação de trens de Campo Largo, bairro de Jarinu onde passava a estrada de ferro Bragantina, abriga em maio uma exposição chamada "Revisitando a História" sobre a memória do local. Como um dos envolvidos com uma experiência positiva na cidade, sinto algo especial nisso.
Antes vale lembrar que isso é parte do ciclo de eventos de 69 anos do município iniciado no sábado (14) com a reabertura da maior parte da Praça da Matriz. Ela foi reconstruída com apoio de voluntários durante quase dois anos após ter sido atingida por um tornado em 5 de junho de 2016 (que também causou impactos em Jundiaí). Ironicamente, coincidiu com o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Voltando ao tema: em 1997-98, fiz uma “ponte” entre pesquisadoras ligadas ao Centro de Memória da Unicamp, coordenadas por Margareth Brandini Park, e a equipe de professores da educadora local Lígia Lorencini Wild. De uma ideia inicial de publicação da história da cidade sugeri usar um projeto educacional e participativo. Acabou virando realidade nas escolas dos bairros, explorando a história oral de moradores e usando a tecnologia para escanear as fotos de famílias para a montagem de um acervo municipal que ainda não existia.

Sempre defendi que, se existe alguém que viu (por exemplo) a última onça em uma região, é uma pessoa idosa – muitas vezes inesperada.
A coisa é mais profunda. Em um país que foi o último do mundo a acabar com a escravidão e também a implantar universidades, muitos conhecimentos não estão na forma escrita. Por isso, os suportes devem incluir também o oral, assim como o audiovisual e o eletrônico. No âmbito ecológico, a diversidade cultural e a diversidade ambiental devem ser vistas juntas, formando a tal sociobiodiversidade.

Na educação ou em outras políticas públicas, a atuação por projetos permite o trabalho conjunto – seja chamado de multi, inter ou transdisciplinar.
Do pesquisador José Eli da Veiga até o escritor Ítalo Calvino, foram usadas referências muito agradáveis e criativas para lidar com os assuntos junto aos professores, estudantes e grupos de moradores antigos de cada bairro. E nesta região, por onde passaram gênios como Adoniran Barbosa, os sotaques locais ainda possuem singularidades positivas.

De minha parte, as reflexões compartilhadas em oficinas foram agrupadas nos textos O Meio Ambiente Transversal (no livro “Memória em Movimento na Formação de Educadores”, Mercado de Letras, 2000) e Suportes da Sustentabilidade (no livro “Formação de Educadores: Memória, Patrimônio e Meio Ambiente”, Mercado de Letras, 2003).

Depois do projeto, seguimos adiante. Fui levado por algum tempo para trabalhos junto aos povos da floresta da Amazônia, Margareth e mais outras da equipe como Renata Sieiro Fernandes avançaram em projetos como o Curumim, no Sesc, e as educadoras locais valorizaram a experiência na rede em Jarinu. Não sei quanto disso foi aproveitada para o novo evento dos dias 19 e 20 de maio, mas o interesse pela memória é evidente.
Quanto ao aspecto ambiental, a praça novamente bonita de Jarinu e trechos de replantio na zona rural de Jundiaí fazem dessa memória recente de um tornado mais um tema para pensarmos – e conversarmos com as memórias mais antigas. Tanto no ambiente como na memória coletiva, tanto nas ciências naturais como nas ciências sociais.
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