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Documento português corrige origem histórica de Jundiaí para 1656

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23 de julho de 2018
Professor apresenta cópia da ata de translado da criação da vila de Jundiahy

Uma cópia da ata de translado da criação da vila de Jundiahy, cujo original está preservado na Torre do Tombo, em Lisboa, deve mudar a referência oficial de criação da atual cidade de 14 de dezembro de 1655 para 14 de dezembro de 1656. A correção é defendida por Samuel Vidilli, que obteve um arquivo digital do documento.

Ele conta que ao buscar a palavra Jundiaí, não encontrou nada. Ao mudar para a grafia antiga com “h” e “y” no final o primeiro documento a ser exibido foi a ata. O uso do termo original é defendido desde 2009 pelo sítio eletrônico www.jundiahy.com.br, de seu colega José Arnaldo de Oliveira.

O ajuste não muda o fato de Jundiahy ficar entre as 50 cidades mais antigas do Brasil. Mas acaba com um impasse específico sobre a data dessa assembleia de moradores (o documento lista 80 famílias, sem menção a escravos ou agregados indígenas). Outros pesquisadores haviam apontado a hipótese de outra data – um deles, o arquiteto Roberto Franco Bueno (autor de dois grandes volumes também sobre a história local) citou a existência do documento na imprensa local em 2012.

O ato de 1652 teve a presença de representantes da Capitania de São Vicente, que era uma das unidades da colônia portuguesa do Brasil (a outra era do Grão-Pará). Ao passar para vila, a então Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Jundiahy passava a ter mais autonomia em relação a Sant'Ana do Parnaíba e também autoridades constituídas, leis locais e arrecadação de taxas.

Ainda mais antigo, o registro como freguesia é ligado à então hegemônica Igreja Católica e deve contar com um documento em latim, no Vaticano, remetendo à primeira metade do século XVII. Sem documentos, a primeira povoação é alvo de hipóteses diversas e, no símbolo oficial do Brasão de Jundiaí usa a estimativa do Visconde de Taunay no século XX – 1615. Mas também há indícios da presença de povos indígenas nativos na área, de acordo com pesquisas do arqueólogo Walter Morales Fagundes, que podem recuar a milhares de anos antes do presente.

Um documento oficial, entretanto, é um registro essencial. Para a leitura do documento, Samuel Vidilli (que é cientista social ligado à GoGo Digital e professor) contou com o apoio de Fátima Martini, que trabalha na Câmara e tem prática de paleografia, a leitura da escrita a pena de documentos antigos.

Curiosamente o processo de criação de Jundiahy coincide com o período aberto em 1640 do outro lado do Oceano Atlântico, quando uma revolta em Portugal restaurou sua independência da Espanha que havia dominado a nação lusitana desde a crise de sucessão do seu trono no final do século XVI.

De acordo com Samuel Vidilli, o documento cita como participantes do abaixo-assinado as primeiras famílias proprietárias que pouco depois aparecem também na primeira ata da Câmara e nos lotes da carta de datas e chãos, transcritos por outro nome central na pesquisa de história local que foram os irmãos Mário e Inocêncio Mazzuia.

Além dos primeiros cargos oficiais reconhecidos pela Coroa, o reconhecimento como vila implicava a presença de referências como a primeira capela (provavelmente no Largo da Matriz), o pelourinho (no Largo do Pelourinho), a cadeia (no Largo da Cadeia) e o “rocio” (no Largo Santa Cruz).

Por coincidência, a colaboradora de paleografia Fátima Martini teve anteriormente aulas de história com o professor Alexandre Oliveira, outro praticante dessa arte e que há poucas semanas fez uma intervenção com alunos com cópias de documentos antigos e suas transcrições em postes do descaracterizado Largo do Pelourinho (a praça Rui Barbosa), onde uma igreja voltada para escravos e libertos da comunidade afro-brasileira foi demolida em 1922 para ampliação da rua do Rosário.

Para o também cientista social e jornalista José Arnaldo de Oliveira, essa configuração na parte alta confirma a tese também geográfica do centro histórico interfluvial nas colinas e vales entre os rios Jundiaí, Guapeva e do Mato – que estimula  a ideia de “museu de rua” divulgada desde 2009 no site Jundiahy e parcialmente usada em pesquisas feitas para estudos de uma rota histórica central.

A entrega de uma cópia do documento oficial com a data de 14 de dezembro de 1656 para o poder público foi feita besta segunda-feira (23), para posterior arquivamento no Centro de Memória de Jundiaí.

O tema da correção da contagem oficial da vila, uma das mais antigas do Brasil e na época a mais avançada em direção ao interior (que se tornou por muitos anos conhecido como “mato grosso de Jundiaí”), é um fato que deve contrabalançar um período marcado em poucas semanas por tragédias do setor histórico como os incêndios em casas da Vila Argos e na estaçãozinha central da Companhia Paulista além de danos causados por um veículo ao Viaduto São João.

O assunto vai estar presente em agosto, considerado “mês do patrimônio”, também com a presença de um patrimônio imaterial, o Bloco Refogado do Sandi, no coreto do evento mensal Sexta no Centro. Em outra frente, deve ser lançado um projeto de passaporte estudantil chamado Guardiões do Patrimônio – que lembra iniciativas anteriores como do campo turístico-gastronômico. Em paralelo, o assunto também passa pela exposição multimídia Rios Des.Cobertos, em cartaz no Sesc até o final desse mesmo mês.

Mais importante ainda é lembrar que, mesmo diante de um histórico destrutivo sobre sua memória, a antiga cidade passa em 2018 pelos 50 anos da mobilização contra o risco de demolição do Solar do Barão (1968), pelos 40 anos do 1º Passeio Ecológico à Serra do Japi contra os loteamentos na serra (1978), pelos aproximadamente 30 anos das campanhas contra a demolição da Ponte Torta e pela restauração do Teatro Polytheama e até pelos 10 anos dos protestos contra o fechamento do Córrego do Mato (2008), entre outras. E mesmo de iniciativas governamentais, como os 35 anos do início do processo de despoluição do rio Jundiaí (1983).

Para Samuel Vidilli, um dos planos agora é formatar um livro.

Em setores estatais como Prefeitura ou Câmara, deveriam ser debatidos programas de revisão da data oficial.

Afinal, será a primeira vez em que poderão ser comemorados os 362 anos da vila de Jundiahy por dois anos seguidos...

VEJA TAMBÉM: Destruição da memória de Jundiahy
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