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Estaçãozinha reúne ativistas para que seja restaurada e ocupada

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15 de outubro de 2018
Movimento atrai ex-ferroviários e outros jundiaienses interessados no resgate do prédio histórico que foi destruído por incêndio

José Arnaldo de Oliveira

Com a presença física de quase 40 participantes das mais diversas idades e profissões, representando instituições que já manifestaram interesse na iniciativa, um ato lançou na manhã do sábado (13) um movimento pela recuperação da Estaçãozinha da Companhia Paulista.

Aberta há 120 anos, em 1898, a Estação Jundiahy-Paulista simboliza o marco zero das linhas dessa que foi uma das maiores empresas ferroviárias da América Latina. Localizada ao lado de uma estrada colonial do século XVII e do primeiro viaduto da cidade, construído em 1950 com escadas de acesso às plataformas, funcionou até a década de 1970. Mas foi atingida por um incêndio em meados de julho deste ano.

Um dos alvos do movimento é cobrar da União a transferência da área do atual órgão federal DNIT para o patrimônio municipal – como parte das antigas oficinas da Companhia Paulista que formam o atual e vizinho Complexo Fepasa um dos conjuntos brasileiros tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O grupo que aderiu ao evento apoiado pela Associação de Preservação da Memória da Companhia Paulista (APMCP) reuniu desde ferroviários aposentados a estudantes universitários, passando por artistas, professores, cicloativistas, vereadores, advogados e jornalistas. E passa a ser também o grupo de trabalho para a coordenação do movimento.

Os próximos passos incluem a entrega simbólica de exemplares de telhas e tijolos das ruínas da Estaçãozinha ao Departamento do Patrimônio Histórico, da Unidade de Cultura, que abriga o Conselho Municipal do Patrimônio (COMPAC). Uma dessas telhas remanescentes mostra nitidamente seu ano de fabricação, em 1888, e sua origem, em Marselha (França) com o fabricante Arnaud Etienne.

Em seguida, novas iniciativas devem envolver outros encontros públicos, o lançamento de um livreto de apoio ao movimento, o debate de projetos culturais sobre o tema e ações de defesa da causa junto a órgãos públicos das esferas federal, estadual e municipal. A agenda será detalhada pelo grupo de trabalho.

Memórias vivas – A telefonista aposentada Deyse Olívia Prado dos Santos ainda se lembra do cotidiano da estação onde trabalhava na década de 1950. Um raro incidente ocorreu quando um condutor descontrolou uma locomotiva em teste na linha interna, hoje desaparecida, e derrubou uma parte da extremidade norte da estação. “Tive poucos ferimentos, mas o susto foi enorme. O respeito entre as pessoas e aos horários era imenso aqui”, afirma.

Para o ex-instrutor da escola técnica da ferrovia que inspirou
depois o SENAI, Milton Calzavara, a qualidade e o pioneirismo dos cursos era tão impressionante como os episódios de debate sobre avanços de direitos. “Aqui ao lado vi grevistas deitando-se nos trilhos”, lembra.

Já o advogado Ângelo Zani, que era de família de ferroviários e vizinho da estaçãozinha na infância, se orgulha de ter tido no lugar de brinquedos em miniatura a oportunidade de curtir trens de verdade.

Enquanto o morador Zezo Spina comparava o sumiço dos chafarizes de água da cidade aos carregamentos de café trazidos pela família desde Cabreúva, o ciclista Roberto Fernandes destacava a importância dos trens não apenas no passado mas também no futuro.

A beleza humana das vidas que passaram pela Estação Jundiahy-Paulista enriquece ainda mais a sua riqueza arquitetônica, tecnológica e histórica. Essa percepção também foi notada pelos estudantes universitários Gabriel Zani e Ricardo Bordin, respectivamente das áreas de história e geografia, que viram no evento assuntos como o patrimônio coletivo da cidade e a conservação da paisagem.

Mais um passo – O incêndio que atingiu a estaçãozinha pode ser um gatilho que faltava contra sua perda completa, avaliam articuladores do movimento como Eusébio Santos e Cidinha Munarolo. Além do evento de lançamento outros apoios se manifestaram pelas redes sociais, que serão usadas para novas adesões - já somam cerca de 300.

Ao lado da mobilização da comunidade sobre a importância de um local histórico, também setores públicos e privados precisam ser envolvidos. No caso da Estaçãozinha, o local já foi visitado por integrantes do Conselho Municipal de Turismo e, no evento, recebeu um dos atuais vereadores da Câmara de Jundiaí, Faouaz Taha.

Entre outros casos de situações de abandono que se mostravam difíceis são lembrados na cidade o ressurgimento, em diversas épocas, do Teatro Polytheama, do Solar do Barão ou da Ponte Torta. O vizinho Complexo Fepasa também teve mobilizações da comunidade antes de ser municipalizado.

Nesse caso esteve também, desde 1999, a atuação da Associação de Preservação da Memória da Companhia Paulista (APMCP) ao lado de outros moradores e grupos da cidade.

A entidade lança em dezembro o décimo volume da série “Meu Pai Foi Ferroviário”, um dos maiores registros de memórias familiares do gênero, e celebra a partir do baile no final de novembro os 18 anos do Centro de Estudos e Lazer da Melhor Idade (Celmi).

Fotos: Edu Cerioni 

 
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