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O mestre de grandes obras

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16 de março de 2019
Por Valquíria Malagoli

Na cidade do Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839, nasceu o escritor cujo nome completo era Joaquim Maria Machado de Assis. Machado de Assis é a forma como o conhecemos e escritor é como costumamos defini-lo. Ele, no entanto, foi muito mais: cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta.Este mestre da nossa língua, de origem humilde, frequentou escola pública e a história de sua luta e a sua persistência são exemplos paras nossas vidas.

Sabe-se que tinha saúde bastante frágil, inclusive que era epilético e gago. Há poucos dados sobre sua infância e juventude: a mãe morreu cedo e Machadinho (como era conhecido) foi criado pela madrasta no morro do Livramento. Ajudava na missa e trabalhou como vendedor de doces, após a morte do pai.

Empenhava-se em aprender e, embora não tenha frequentado cursos regulares, aos dezesseis anos já via seu primeiro trabalho literário na revista "Marmota Fluminense" que, depois de publicar este poema intitulado "Ela", fez do jovem escritor um colaborador efetivo.

Machado de Assis contava dezessete anos quando conseguiu emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional. O diretor era o autor de "Memórias de um Sargento de Milícias", Manuel Antônio de Almeida e este, com certeza pelo esforço, dedicação e talento do rapaz, tornou-se seu protetor.

Trabalhou novamente, em 1858, então como revisor e colaborador da "Revista Marmota". A esta altura, faziam parte de seu círculo de amigos, além do próprio Manuel Antônio, outros grandes nomes, entre os quais Joaquim Manoel de Macedo ("A moreninha"), José de Alencar ("O Guarani") e Gonçalves Dias ("Canção do Exílio").

No ano seguinte, começou a publicar obras românticas e, no mesmo período foi revisor e colaborador do jornal "Correio Mercantil". Apenas um ano mais se passou e, aceitando convite de Quintino Bocaiúva, foi trabalhar na redação do jornal "Diário do Rio de Janeiro". Paralelamente escrevia para "A Semana Ilustrada" e "Jornal das Famílias".

"Queda que as mulheres têm para os tolos" foi seu primeiro livro impresso (1861). Ele o traduziu? Adaptou? Plagiou? Eis outro questionamento acerca de obra machadiana que, não obstante há mais de meio século estudos questionem, jamais provavelmente seja a respeito batido o martelo.

Em 1862, quando atuou como censor teatral, sua única remuneração era o acesso livre aos teatros.

Finalmente publica "Crisálidas", em 1864.

Casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais. Foi ela quem o apresentou aos clássicos portugueses, bem como a autores da língua inglesa. Carolina (que foi imortalizada pelo marido no soneto que leva o seu nome) e Machado não tiveram filhos.

Sofrendo ainda pela perda de sua amada, publica seu primeiro romance, intitulado "Ressurreição", em 1872.

Sua vida era a esta altura estável devido à carreira burocrática, tendo este sido seu principal meio de subsistência.

Escreveu tanto para "O Globo", quanto para as revistas "O Cruzeiro", "A Estação" e "Revista Brasileira".

No teatro, em 1880, foi encenada uma peça sua que foi escrita para a comemoração do tricentenário de Camões.

Foi em 1881 que veio a público o originalíssimo "Memórias Póstumas de Brás Cubas". Este livro figura como o marco do realismo na literatura brasileira, ao lado de "O Mulato" de Aluísio de Azevedo.

Intelectuais da época se reuniam e Machado de Assis que, desde o início apoiou a ideia de Lúcio de Mendonça – a de criar uma Academia Brasileira de Letras – foi eleito presidente daquela instituição tão logo foi fundada.

Ocupou o cargo e a cadeira de nº 23 desde esta data, precisamente, 28 de janeiro de 1897, até sua morte em 29 de setembro de 1908. Para patrono de sua cadeira escolheu o grande amigo José de Alencar.

Tão importante é este homem para a literatura da nossa pátria, que a Academia Brasileira de Letras é também chamada Casa de Machado de Assis.

Muito embora haja críticas que digam ter Machado de Assis ignorado questões sociais como a independência do Brasil e a abolição da escravatura, não há quem contradiga seu talento calcado numa linguagem e estilo precisos e inconfundíveis.

Valquíria Malagoli é escritora e poetisa
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