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O sucesso das radionovelas

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11 de novembro de 2017
Por Nelson Manzatto

Nunca foi comum o rádio de casa ligado para ouvir novela. Primeiro porque, no final da década de 1950 e início da seguinte, havia apenas um rádio em casa, funcionando a energia elétrica e com grandes válvulas instaladas no aparelho que ficava na sala. Se queimasse uma... a correria para consertar era grande, simplesmente porque não sabíamos o que era televisão! Nossa sorte é que no quarteirão próximo de casa, havia uma oficina de consertos e, muitas vezes, a válvula era trocada na hora.

Minha mão nunca foi muito de novelas, mas de ouvir comentar na vizinhança, às vezes se interessava por alguma. O horário nobre do rádio sempre foi no período da manhã e às 10 horas entrava a novela “O direito de Nascer”, que já tinha ido ao ar na década de 1940 e voltava agora, anos depois, pouco antes do sucesso de “Redenção”. Esta segunda novela tinha como personagem principal Francisco Cuoco que iniciava carreira artística.

“O direito de nascer” foi para a televisão e tinha no dr. Albertinho Limonta e na Mamãe Dolores, os personagens centrais. As rádios Nacional, Excelsior, São Paulo, Piratininga, Tupi e Aparecida eram “campeãs de audiência” na apresentação de novelas.

A Nacional tinha os grandes nomes, tanto que mais tarde virou rádio Globo. Silvio Santos tinha seu programa diário, ao meio-dia e tinha em Ronald Golias seu coadjuvante. No período da tarde, as rádios São Paulo e Aparecida apresentavam suas novelas, mas muitas vezes com cunho religioso.

A Rádio Aparecida só era sintonizada em ondas curtas e, na maioria das vezes, o som do rádio desaparecia. O chiado era enorme e nem antena externa ajudava muito. Mas era comum ouvir comentários das amigas de minha mãe que naquele dia o almoço tinha atrasado por conta da novela. E isso acaba sendo motivo de riso.

As meninas falavam dos artistas que acabavam aparecendo nas revistas, principalmente na “Capricho” que tinha sua fotonovela.

Nós crianças ficávamos ligados ao que vinha à noite. Na rádio Piratininga ia ao ar o seriado “Juvêncio, o justiceiro do sertão”. Juvêncio tinha como companheiro seu cavalo “Corisco” e era assunto nas brincadeiras de “mocinho e bandido” no quintal de casa. Galopando no cabo de vassoura, a gente gritava agitando o chicote: “eia! Vamos Corisco....” E o “cavalo” galopava pelo quintal. E depois da brincadeira, silêncio dentro de casa, pois chegava a hora de... “Redenção”, a radionovela que mais tempo ficou no ar, e que fez sucesso na televisão no ano de 1966. Também batendo recorde no número de capítulos...

Nelson Manzatto é jornalista e escritor

 
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