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O velório era seu lar

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26 de março de 2018
Jundiaí lamenta a morte de Jorge Murari Filho, o Jorge Cego, que também foi cantor

Edu Cerioni

Jorge Murari Filho sempre foi mais conhecido por seus apelidos: Jorge Cego ou Jorge do Velório. Aos 64 anos, ele morreu no sábado (24), entristecendo uma legião de amigos que ele conhecia pela voz. "Eu ligava no velório e ele já reconhecia no ato", conta Luly Alves, funcionária pública assim como esse ex-assistente administrativo ligado à Fumas.

Jorge perdeu a visão na infância. Aos dez anos, depois de sofrer uma queda de um cavalo, teve problemas de saúde e, em uma semana, acabou cego. A limitação, no entanto, não lhe tirou a vontade de viver. Casou, teve filho e se formou em Direito. E ainda gostava de andar a cavalo.

Começou em 1973 na Prefeitura de Jundiaí, atuando no arquivo. Em 1994 chegou ao velório e ali se fez conhecido por meia cidade. Era quem atendia as ligações e sempre tinha uma palavra de consolo para os aflitos do outro lado da linha. Era aposentado, mas não queria parar, se achava exemplo pra muita gente e planejava mostrar essa sua superação da deficiência lançando um livro.

Jorge Cego também ficou conhecido por sua voz nos microfones. "Tinha uma voz sexy", assegura Lazinha Pilat. Por mais de duas décadas, cantou em bares e casas noturnas de Jundiaí os sucessos românticos nacionais. "Gostava dos shows das sextas na Pão D'Oro", prossegue ela, lembrando que o agora saudoso amigo tocava teclado, violão, acordeon e bateria. A dificuldade de levar os instrumentos e equipamentos de som é que o fez desistir, assim ultimamente só se apresentava em festa familiares.



A psicóloga e professora universitária Rita Nicioli Cerioni era sua amiga de juventude e conta que Jorge era diferenciado, pois até tirava o carro da garagem e o estacionava junto ao meio fio em plena rua Marechal Deodoro da Fonseca, no Centro. "Alguém avisava que não vinha carro e ele saia de ré e manobrava com perfeição". Jorge tinha também noção de mecânica, que aprendeu com o pai.

A despedida foi no mesmo Velório Nossa Senhora do Desterro, no Centro, que nunca mais terá aquele "alô" tão conhecido de todos.

 
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