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Pra não deixar a história da nossa ferrovia se apagar

Jundiaqui
9 de abril de 2018
Vem aí a décima edição do livro "Meu Pai Foi Ferroviário", fechando o projeto nascido em 1996



Edu Cerioni

Jundiaí já foi dona do título de maior entroncamento ferroviário do Brasil, nos tempos em que tinha cinco ferrovias, Santos-Jundiaí (São Paulo Railway), Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Sorocabana, Bragantina e Itatibense. Sobrou a linha suburbana e outra de cargas, por isso a dupla Eusébio dos Santos e Márcio Martelli se esforça para não deixar nossa memória virar fumaça - quem sabe até consiga estimular que se coloque nossa história nos trilhos outra  vez...

É com esse espírito que os dois começam a preparar a décima edição do livro "Meu Pai Foi Ferroviário", que surgiu em 1996 e até agora já registra 670 homenageados. São histórias de diretores de ferrovia sim, mas também do soca, aquele trabalhador de beira de linha que arruma os dormentes. Outros 66 serão incluídos nesta lista agora.

O livro 10 encerra a série, avisa Eusébio, diretor da Associação Preservação da Memória da Companhia Paulista. "Já fizemos uma longa viagem, que chegou a Portugal com a edição número 9 escrita pelos portugueses. Vamos dar uma parada, mas nada impede que o projeto seja resgatado no futuro. Quem sabe no futuro se veja que o melhor para o Brasil é o transporte ferroviário".

Com um toque saudosista, Eusébio lembra que 14 mil pessoas viviam em função da ferrovia em Jundiaí por volta de 1920, auge dos trens. Eram funcionários e seus dependentes. Tempos em que a importância da Companhia Paulista podia ser medida em quilômetros: eram exatos 1.441 de trilhos. Mas chegaram os anos 50 e as rodovias foram jogando de lado as ferrovias...

"Os livros da série 'Meu Pai foi Ferroviário' relatam experiências incríveis, bem pessoais mas que são familiares a todos que viveram a história ferroviária. Vemos essa memórias como verdadeiras joias, tanto que o livro vem dentro de uma caixinha de madeira", lembra Eusébio.O editor Márcio Martelli, da In House, diz que o livro não é vendido e sim doado para bibliotecas, escolas e museus que tenham ligação com os trens. "Também quem escreve um capítulo ganha o seu livro de lembrança". A participação é gratuita.

Um desses capítulos narra o dia em que cobras se espalharam pela estação, quando um ajudante derrubou um caixote que era destinado ao Instituto Butantã. "São depoimentos de toda espécie", explica.

ATÉ TU, FRANCISCO!?

O Papa Francisco teve a história de seu pai contada em uma das edições. Gostou e até enviou uma carta, por intermédio de um assessor, agradecendo pelo livro recebido no Vaticano. Outros figurões que estão ali são Walt Disney (foto abaixo), Ignácio de Loyola Brandão e Max Gehringer, também filhos de ex-ferroviários. 

Quer contar uma história? Ligue (11) 4523-0467.

 

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