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Roberto Zambelli: a música era sua vida

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20 de agosto de 2018
Por Guaraci Alvarenga

A meia-luz apontando o velho órgão eletrônico. Um copo de uísque sobre o simples guardanapo de papel e, ao lado, um desusado cinzeiro de chão. Suas mãos mágicas dedilhavam as sonoras teclas e uma canção se ouvia, falando das coisas do amor. Era inegável o ambiente que se fazia de aconchego e romantismo. Emociono-me ao me lembrar dele, do seu grande talento, porque Roberto Zambelli era incomparável na torrente de seu repertório de músicas que tocam a alma da gente. Sempre envolvente e sempre apaixonando os seus frequentadores.

Tinha este dom o Zambelli. A cada apresentação, uma nova sedução. Sempre foi um grande cantor das noites jundiaienses. Abrilhantou muitos anos com enorme sucesso as sextas dançantes do Clube Jundiaiense, o “happy hour” do Grêmio, as noitadas do Bar do Samir na ACRE e no Tênis Clube, os bares da moda Crystal Chopp, Saveiro e Passarin. Lembro-me de sua cativante presença nos eventos da cidade. Não nos esqueçamos de outros bares de então em que se apresentou, como no Neandhertal, Pelicano’s, Cekiçabe, Camaleão e tantos outros.

Seu porte magro, sua voz afinada e o encantamento de quem é feliz naquilo que faz seduziam os amantes da noite, os boêmios apaixonados e as mulheres amadas. Fato extraordinário que só a um grande artista pode ocorrer. Nos últimos anos, sua presença obrigatória na lanchonete Natura encantava não só seus admiradores, como abria espaço para seus amigos músicos.

E não foi outra a extraordinária e cativante presença de Zambelli nos 100 anos de “A Pauliceia”. A preocupação com a qualidade do som se esvaiu na primeira nota musical de Zambelli. A conversa foi deixada de lado e todos os olhares convergiam para o palco do cantor. Tocou, cantou e empolgou. Música após música recebia aplausos calorosos, cada vez mais entusiasmados. O cantor Zambelli não fazia a noite, sempre foi o astro da noite.

Sua morte aconteceu depois de um longo período em que sofreu a impossibilidade de mostrar seu brilho. Resta guardada para mim a imagem da última vez que a vi em cena. Não parou de cantar. No verso de Gonzaguinha, resumiu a vida, naquilo que é sua essência: “… amar e cantar como se fosse um eterno aprendiz”.

Com a partida do querido Zambelli, fica-nos a bela lembrança dos tempos bons e dourados, em que nos reunimos pelas alegres noites jundiaienses. Mas sua música continua. Por onde passou sempre deixou um sinal de alegria. E lá, para onde nossas preces são dirigidas, sempre haverá um piano com sua doce companhia. Um público cativante a aplaudi-lo, agora eterno!

Guaraci Alvarenga é advogado

Foto: reprodução Facebook
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