Jundiaqui
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SORRY, PERIFERIA

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2 de fevereiro de 2019
Por Luiz Haroldo Gomes de Soutello

Em jornais brasileiros antigos, anteriores a 1926, já apareciam notícias esparsas a respeito da vida social, mas não havia coluna dedicada a esse assunto, muito menos caderno.

Como gênero literário, a crônica social foi introduzida no Brasil pelo já então renomado poeta e jornalista Guilherme de Almeida (1890-1969), ele próprio um colunável muito badalado, com livre trânsito na fechadíssima sociedade paulistana da época.

A partir de 1926, Guilherme de Almeida manteve no "Estadão" uma coluna intitulada “A Sociedade”, assinada com o pseudônimo Guy. Foi membro da Academia Paulista de Letras a partir de 1928, e da Academia Brasileira de Letras a partir de 1930.

Guilherme de Almeida não era jundiaiense, mas quase. Nasceu em Campinas, um antigo subúrbio de Jundiaí que se tornou município em 1797, por obra e arte do Barreto Leme, por extenso Francisco Barreto Leme do Prado, vereador em Jundiaí e descendente daqueles Leme do Prado que foram uma das famílias fundadoras de Jundiaí.

E já que o assunto é crônica social, a modéstia me obriga a confessar, entre parênteses, que o meu ancestral jundiaiense António Leme do Prado era bisneto do Rafael de Oliveira e casado com Leonor de Siqueira de Moraes, descendente daqueles Moraes que já possuíam terras no Sertão do Jundiahy em 1625, como demonstrou o Alceu de Toledo Pontes. Uma filha desse casal, minha avoenga Francisca de Siqueira de Moraes, casou com um sobrinho-neto da velha Petronilha Antunes. Vai daí que este Luluzão que vos fala não precisa do beneplácito da Câmara Municipal para se declarar cidadão jundiaiense. Por direito de sangue.

Fechados os parênteses, a "Folha" teve como primeira cronista social a escritora Helena Silveira, usando o pseudônimo Helen, mas foi com José Tavares de Miranda (1916-1992) que a coluna social da "Folha" se transformou em caderno.

Tavares de Miranda é autor de dois romances e de seis livros de poesia, dos quais o último, “Tampa de canastra”, reúne os anteriores. Também escreveu o livro “Boas maneiras e outras maneiras”, que muita gente deveria ler. Foi recebido na Academia Paulista de Letras.

No Rio de Janeiro, o gênero ganhou relevo com o jornalista Maneco Müller (1923-2005), que assinava as crônicas sociais com o pseudônimo Jacinto de Thormes, logo seguido por Ibrahim Sued (1924-1995), que teve o mérito de introduzir na crônica social um toque de humor e de velada (auto) crítica, criando um linguajar deliberadamente cabotino que se tornou indissociável desse gênero literário, com expressões como “gente bem” e “sorry periferia”, tudo regado a “champanhota” e concluindo sempre com um “à demain, de leve”. Para constar, registre-se que o Ibrahim sempre consultava o filólogo António Houaiss antes de publicar os seus neologismos.

Na nossa Jundiaí, a primeira coluna social, intitulada “Gisèle e H. de M.”, era escrita por Munira Gebram e pelo poeta João Horta de Macedo. Veio em seguida a coluna da Chãins (Jandyra Miranda Duarte), que fez parte da Academia Jundiaiense de Letras.

Mais destacado no mundo literário, o Desembargador José Renato Nalini, que já presidiu a Academia Paulista de Letras e o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, fazia “bico” como cronista social, quando ainda estudante de Direito.

Também já atuou nesse gênero o atual Presidente da Academia Jundiaiense de Letras, João Carlos José Martinelli.

Luiz Francisco Ferreira Bárbaro, o popularíssimo Picôco, autor do livro “Viva a vida”, fartamente ilustrado com precioso acervo de fotografias, recusou convite para ingressar na Academia Jundiaiense.

Em diferentes épocas, atuaram também na crônica social de Jundiaí, em ordem alfabética: Ademir Gonçalves, António (Tony) Portigliati, Cristina Zabba, Dorival Raimundo Junior, Elza Francisca de Carvalho, Fernando Lorenzetti, Glorinha Araújo, Jamil Jacomello (que ainda adolescente publicou o livro de poesia “Nós, os frutos”), Jane Rute Nalini, João Carlos Castilho de Andrade, João Carlos Lopes, Lúcia Chagas, Mariana Pacheco, Nádia Trimboli, Sérgio Bocchino, Sônia Petroni e o Théo Conceição ainda fazendo e acontecendo, com estilo...

É isso aí. Au revoir, de leve, que eu vou em frente.

Nota da Redação: na foto do alto, Picôco conversa com João Carlos Lopes e João Carlos José Martinelli, acompanhado de Ivone. Um flagrante histórico de Marco Costa em novembro de 2014.
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