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Um prefeito que foi além de nossas fronteiras

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15 de novembro de 2018
Vivaldo José Breternitz escreve sobre Valdomiro Lobo da Costa

Valdomiro Lobo da Costa foi prefeito de nossa cidade de 1927 a 1930, e  exerceu diversos cargos públicos - foi deputado, presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo etc.

Como curiosidade, cabe dizer que em 1928, sob sua gestão, foi construído o muro na base do "Escadão" - 76 metros de comprimento por dois de altura; em 1929, foi feito o projeto da escadaria e dos passeios pela inclinação do morro, bem como do belvedere da parte superior, com vista para a Vila Arens. À época, o local era chamado "Morro do Grupo", numa referência ao então Grupo Escolar Cel. Siqueira de Moraes, situado nas proximidades.

Mas há um fato curioso e pouco conhecido a respeito de sua vida: foi condecorado pelo rei da Itália com a "Cruz de Cavaleiro da Ordem da Coroa", que lhe foi entregue em nossa cidade pelo cônsul geral da Itália em São Paulo, Serafino Mazzolini - a entrega ocorreu em maio de 1930.

A entrega foi motivo para grandes festividades, segundo o "Correio Paulistano" de 14 de maio de 1930. Inicialmente, houve um grande jantar, presentes membros de famílias de destaque de nossa cidade: Queiroz Guimarães, Rappa, Traldi, De Vecchi, Gandra, Castilho, os doutores Samuel Martins e Domingos Anastácio.

O cardápio foi composto de diversos pratos e vinhos finos, ao final do qual Valdomiro ergueu um brinde ao cônsul e à sua mãe que o acompanhava. O cônsul, respondeu com "brilhante e comovida oração". Mais tarde, um baile no Grêmio CP, que se prolongou até a manhã seguinte; mesmo no baile, mais discursos aconteceram.

No dia seguinte, o cônsul visitou o bairro do Traviú, tendo sido recebido na residência do (mais tarde) Comendador Antonio Carbonari com mais discursos e uma mesa de doces e champanhe.

Para o almoço, às 13 horas, houve um banquete (70 talheres), desta vez nos salões do "Casino Jundiahyense". O serviço refinado, aos cuidados de Angelo Semenza, foi acompanhado pela musica do Jazz Oriental e seguido, como de praxe, por mais discursos.

A seguir, a parte mais interessante da visita: o grupo dirigiu-se para a sede do Fascio de nossa cidade - Fascio era o nome dado a um grupo local de fascistas. Essa sede, segundo o jornal, ficava nos "altos do Polytheama" - seria o prédio do teatro?

A seguir, no teatro propriamente dito, completamente lotado, aconteceu a entrega da condecoração. A solenidade foi abrilhantada pela Banda Ítalo-Brasileira (mais tarde União Brasileira), que executou os hinos nacionais do Brasil e da Itália e o hino "Fascista".

E mais discursos, do cônsul, de jornalista, do juiz de direito - até chegar-se ao homenageado, que entre outros elogios ao governo fascista de Mussolini, disse que "ao salvar a Itália das terríveis consequências da invasão moscovita, havia salvado toda a civilização cristã"! Disse também que, com a alma de joelhos, queria depor um ósculo respeitoso nas mãos da velhinha que dera à Itália um filho do valor de Serafino Mazzolini, o Cônsul...

Encerrou-se a cerimônia com a banda executando o Hino Nacional e a canção "Giovinezza", o hino do Partido Fascista.

E como o pessoal gostava de festas: o cônsul partiu para São Paulo no trem das 19 horas, e às 21 horas, Valdomiro, com a condecoração no peito, abria as comemorações do 22ª aniversário do Gabinete de Leitura Ruy Barbosa - mais um baile, que se prolongou até a madrugada, não sem antes um discurso de 40 minutos do orador da entidade, o juiz de direito Samuel Martins.

Quanto a Mazzolini, teve uma brilhante carreira diplomática, morrendo em 1945 aos 55 anos, vítima de diabetes, agravada pela falta de medicamentos provocada pela guerra.

Ao saber da morte dele, disse Mussolini: "era un collaboratore onesto, intelligente, buono e devoto, quale raramente ho avuto. Gli Esteri (Ministério de Relações Exteriores) perdono un Capo insostituibile e l'Italia un patriota esemplare".
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