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Vazios éticos

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27 de janeiro de 2019
Por José Renato Nalini

Há perdas irreparáveis que a continuidade dos micro-problemas rotineiros impedem sejam adequadamente reverenciadas. Três mortes recentes privaram São Paulo e o Brasil de personalidades paradigmáticas. As novas gerações precisariam ser alertadas para a inscrição de ambas no Panteão da memória ética desta sofrida Pátria.

A primeira delas é a da Professora Agnes Cretella, viúva do administrativista José Cretella Júnior. Erudita, poliglota, uma estrutura cultural raríssima no panorama da mediocridade geral, traduziu inúmeras obras clássicas. Simultaneamente, era a presença tranquila a garantir serenidade para o grande Cretella Júnior produzir sua obra imperecível no Direito Administrativo Brasileiro. Além do mais, polida, gentil, simpática, amável. Reunia um ramalhete diversificado de virtudes, a servir de modelo para a caracterização de um exemplar humano de primeiríssima qualidade.

A segunda é a do Professor Erasmo de Freitas Nuzzi (foto), competente educador, que desenvolveu uma carreira sólida em São Paulo e foi ligado a Jundiaí, durante a primeira gestão do Prefeito Walmor Barbosa Martins, entre 1969 e 1972. Membro do Conselho Estadual de Educação, foi figura relevante para a criação do Colégio Técnico de Enfermagem e auxiliou também nas tratativas da instalação da Faculdade de Medicina de nossa terra.

A terceira é a do Procurador de Justiça Hélio Pereira Bicudo, que se tornou figura mundialmente conhecida ao lutar contra o famigerado “Esquadrão da Morte”, grupo armado que fazia justiça pelas próprias mãos, sob argumento de livrar São Paulo de seus mais perigosos delinquentes.

Escreveu o livro “Meu depoimento sobre o Esquadrão da Morte”, arrostou perigos numa época em que os riscos eram muito maiores, diante da indefinição do quadro da licitude e da ambiguidade de regime em que tanta coisa se praticava em nome da moralidade pública, nem sempre por meios eticamente aceitáveis.

Foi um dos fundadores do PT, foi Vice-Prefeito de Marta Suplicy e não hesitou em deixar o Partido quando do surgimento do “Mensalão”, depois sucedido pela “Lava Jato” e sua sequela de infortúnios, que privam os brasileiros de esperança na salvação da política partidária.

Cada um deles deixou um patrimônio imensurável de excelentes práticas. E é disso que a infância e a juventude precisam, para reencontrar os rumos deste Brasil aparentemente à deriva.

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista.
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