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50 ANOS DE STONEWALL

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28 de junho de 2019
Por Kelly Galbieri

28 de junho de 1969: data histórica para toda a comunidade LGBT.

Stonewall Inn é o nome de um bar em Nova Iorque, onde nesta data os frequentadores (à época, os marginalizados da sociedade – na grande maioria gays) se revoltaram com a truculência da polícia e passaram a jogar moedas, garrafas e pedras nos policiais novaiorquinos, já que invadiam com frequência o bar, humilhando-os e os levando para uma delegacia de polícia sem razão alguma.

Desde então, nos seis dias seguintes, aqueles que se escondiam, com medo ou por vergonha, passaram a sair às ruas para protestar.

Quando completou um ano este “levante”, houve marcha LGBT em Nova Iorque, Los Angeles, San Francisco e Chicago. E daí para a frente outros estados, países passaram também a comemorar esta data, que hoje recebe o nome de DIA INTERNACIONAL DO ORGULHO LGBT.

E sobre isso tenho tanto a falar...

No último domingo estive em São Paulo, na maior marcha do mundo. Mais de três milhões de pessoas saíram às ruas para mostrar que não há do que se envergonhar, que todos têm orgulho de serem quem são.

Eu fui com meu companheiro, homem maravilhoso, meu Paulo, como “mãe pela diversidade”. Em um grupo onde tinham centenas de pais e mães que saíram do armário para pedir ao mundo que respeitem, que acolham seus filhos. Saímos da rua Haddock Lobo e fomos juntos em direção à Av. Paulista, cantando: “Sai, sai da frente. Sai que com as mães é diferente”.

Entrei em uma das mais importantes avenidas brasileiras chorando, emocionada com tanto amor. Ali se viam gays, lésbicas, drag queens, transexuais, bissexuais, travestis nos olhando e agradecendo por defendermos nossos filhos.

Mas esse é o nosso papel, não é? Não é isso que todo pai e mãe tem obrigação de fazer? Nós não temos o famoso “amor incondicional”?
Não. Infelizmente esta não é a realidade brasileira. Somos o país que mais mata travestis e transexuais no mundo todo.

E ontem fui a um seminário em São Paulo sobre velhices LGBTs. E chorei novamente. Mas desta vez só de pensar em como essas pessoas viveram e viverão. Uma geração que abriu todas as portas para os jovens LGBTs poderem andar de mãos dadas nas ruas, poderem mudar de nome, de exigir nome social em escolas e repartições públicas, de curtir a Parada do Orgulho LGBT sem serem agredidos por serem quem são.

Ali ouvi relatos de idosos LGBTs que me levaram às lágrimas, pois contaram o que já sofreram e a não perspectiva daqui para a frente para seus próximos anos de vida. Aqueles que não se casaram, não tiveram filhos ou foram excluídos do convívio familiar apenas por serem LGBTs, hoje se veem velhos e tendo que voltar para o armário para assim, viver em comunidade.
Portanto, obrigada a todes esses “velhxs” que lutaram com suas vidas desde Stonewall. E rogo que não percam a esperança. Tudo há de melhorar e tenho muito orgulho em poder conviver com elxs.

Kelly Galbieri é advogada e assessora de Políticas para Diversidade Sexual na Prefeitura de Jundiaí


 
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