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Afogados em dados

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28 de julho de 2018
Por José Renato Nalini

O excesso de informações é causa de uma das angústias do homem contemporâneo. O dilúvio de dados disponíveis, a velocidade das rupturas e a celeridade das inovações mantêm a humanidade em permanente tensão. O mundo está sob incessante e crescente demanda. 30 bilhões de mensagens de WhatsApp são endereçadas a cada dia e 87% dos jovens americanos disseram que nunca abandonam seus smartphones. 44%  tiram fotos com seus celulares todos os dias. E o compartilhar de imagens, clips, discursos e shows?

O usuário não apenas reparte tudo aquilo que acha interessante – peer-to-peer –como produz também material para ser distribuído. Todos são capazes de fazer um filme e de encaminhá-lo para o rol de amigos, ou disponibilizá-lo nas redes sociais.

Tudo tem de ser “já”. O “depois” já não interessa. O “agora” é que tem valor, não mais o “amanhã”. A corrida é frenética em ambos os sentidos. O consumidor busca as melhores ofertas na internet, os fornecedores procuram seus clientes mediante agressiva tática de venda.

E isso não ocorre apenas nos Estados Unidos, o campeão no comércio online. A China foi uma gigante desperta para essa realidade. Em 11.11.2015, o Single Day (Dia Único), realizado pelo grupo Alibaba, de comércio eletrônico, faturou mais de 14 bilhões de dólares online. 68% das vendas foram realizadas com uso de dispositivos móveis. Na África Subsaariana, a região de maior número de assinaturas de celulares, os telefones fixos restaram superados. Mais de 240 milhões de usuários de internet móvel são esperados na África Subsaariana nos próximos cinco anos.

Tudo se encontra na internet. Para o bem e para o mal. Quem tiver curiosidade passará a vida aprendendo coisas, visitando países, lendo biografias e se encantando com a exuberância do gênero humano. O conhecimento nunca esteve tão disponível e tão acessível a quantos queiram dele se apoderar. O risco é o indivíduo ficar tão assustado com a imensa exuberância das informações e se desinteressar por aprender, sob argumento de que não sabe o que deve guardar ou o que deve descartar.

O uso saudável das redes sociais é pedagógico. A par de disseminar conteúdo importante para quem está de mente aberta para recolher e abrigar novos conhecimentos, serve para ajudar o eleitor a escolher em quem votar. Lembrando que ainda não existe outra fórmula viável de se gerir uma sociedade, senão mediante eleição de representantes. Até nos convençamos de que depende de cada um de nós implementar a Democracia Participativa, de gradação mais relevante em cotejo com a combalida e desacreditada Democracia Representativa.

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista
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