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Aos avós e aos idosos, com amor e ternura

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26 de julho de 2018
Pelo Bispo Dom Vicente Costa

Os idosos e os avós “ensinam-nos a contar nossos dias e assim teremos um coração sábio” (cf. Sl 90[89],12).

“Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

No dia 26 de julho, quando a Igreja comemora a memória litúrgica de São Joaquim e Santa Ana, pais de Maria Santíssima e avós de Jesus, celebra-se o Dia dos Avós. Hoje dedico esta página, com amor e ternura, aos idosos e aos avós, para que eles sejam mais valorizados e ajudados em nossas famílias, na Igreja e na sociedade.

Na esteira dos países desenvolvidos, o Brasil caminha para se tornar um País de população majoritariamente idosa. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo de idosos de 60 anos ou mais será maior que o grupo de crianças com até 14 anos já em 2030 e, em 2055, a participação de idosos na população total será maior que a de crianças e jovens com até 29 anos. Portanto, os idosos hoje constituem aproximadamente 14,43% da população brasileira.

Envelhecer com dignidade e qualidade de vida é o objetivo almejado por todos. Para alcançá-lo, o Brasil instituiu o Estatuto do Idoso, por meio da Lei n. 10.741, de 01/10/2003, assegurando a todas as pessoas “com idade igual ou superior a sessenta anos, para que seja preservada sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade” (Art. 20). De fato, vários benefícios foram assegurados aos idosos.

Porém, sabemos que a situação dos idosos no país, muitas vezes, não é nada boa. Infelizmente, a palavra “velho” ou “idoso” traz consigo um conjunto de conotações pejorativas. Numa sociedade que idolatra a beleza e a força física, ser velho significa estar envolvido em um universo de rejeição, preconceitos e exclusão. A infraestrutura dos serviços, programas sociais e de saúde para os idosos, particularmente os de baixa renda, é muito deficiente. O sistema de aposentadoria ainda reforça muitas injustiças e desigualdades sociais. A questão do trabalho para os idosos é outro ponto bastante problemático no Brasil: quanto mais o tempo passa, mais difícil encontrar um emprego. Muitos idosos são vistos como pessoas que “só dão trabalho” e são abandonados pelas suas famílias em casas de amparo aos idosos, como os asilos, aliás em número muito reduzido, e deficientes no tratamento dispensado.

A Bíblia Sagrada exorta-nos a honrar os idosos. “Um idoso de cabeça branca” deve ser respeitado (cf. Lv 19,32). Devemos apreciá-los pela sua experiência, pois se o “orgulho dos jovens é o seu vigor, os cabelos brancos são a honra dos anciãos” (Pr 20,29). Eis a súplica do ancião: “E agora, na velhice, de cabelos brancos, Deus, não me abandones, até que eu anuncie teu poder, as tuas maravilhas a todas as gerações que virão” (Sl 71[70],18). E São Paulo aconselha: “A um mais velho não repreendas, mas aconselha como a um pai” (1Tm 5,1). E o mesmo Apóstolo exorta: “Que os anciãos sejam sóbrios, decentes, sensatos, sadios na fé, no amor, na constância” (Tt 2,2).

Na sua missão de evangelizar, a Igreja precisa acompanhar os idosos em suas múltiplas necessidades. É muito conhecida a Carta aos Anciãos que São João Paulo escreveu, como ancião de 79 anos, aos idosos do mundo inteiro (01/10/1999). Naquele ano, declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional dos Idosos, o saudoso Papa quis dedicar o seu escrito aos “caríssimos anciãos de qualquer língua e cultura. Escrevo-vos esta carta (…) para chamar a atenção da sociedade inteira para a situação daquele que, pelo peso da idade, deve com frequência enfrentar problemas numerosos e difíceis” (n. 1c). A velhice “é a época privilegiada daquela sabedoria que, em geral, é fruto da experiência, porque ‘ o tempo é um grande mestre’” (n. 5c). Enfim, afirma o Papa: “Caríssimos anciãos, (…)  quando Deus permite o nosso sofrimento por causa da enfermidade, da solidão ou por outras razões ligadas à idade avançada, dá-nos sempre a graça e a força para que nos unamos com mais amor ao sacrifício do seu Filho e participemos com mais intensidade no seu projeto salvífico. Podemos estar certos: Ele é Pai, um Pai rico de amor e de misericórdia!” (n. 13c).

O Papa Francisco, no seu magistério, várias vezes tem destacado o valor dos idosos em nossa vida. Já na 28ª Jornada Mundial da Juventude, realizada no Rio de Janeiro (23-28/07/2013), durante a oração do Angelus, disse: “Como os avós são importantes na vida da família, para comunicar o patrimônio de humanidade e de fé que é essencial para qualquer sociedade! E como é importante o encontro e o diálogo entre as gerações, principalmente dentro da família!” (26/07/2013). No encontro do Papa Francisco com os idosos e os avós, na Praça de São Pedro, em Roma, ele dirigiu-se ao Papa Emérito Bento XVI, também presente naquele evento, com estas palavras: “Disse já inúmeras vezes que gostava muito de tê-lo a morar aqui no Vaticano, porque era como ter o avô sábio em casa. Obrigado!” (28/09/2014). No mesmo discurso, o Papa Francisco declarou:“A velhice é um tempo de graça, no qual o Senhor nos renova a sua chamada: chama-nos a guardar e transmitir a fé, chama-nos a rezar, especialmente a interceder; chama-nos a ser solidários com os necessitados. (…) Felizes aquelas famílias que têm os avós perto! O avô é pai duas vezes, e a avó é mãe duas vezes. (…) Um povo que não guarda os avós e não os trata bem é um povo que não tem futuro! Por que não tem futuro? Porque perde a memória, e se separa das próprias raízes”. E concluiu: “Uma das coisas mais belas da vida de família, da nossa vida humana de família, é acariciar uma criança e deixar-se acariciar por um avô e por uma avó”.

Em nosso país, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sempre privilegiou os idosos na sua ação evangelizadora. O tema da Campanha da Fraternidade do ano de 2003 era: “Fraternidade e pessoas idosas”, com o lema: “Vida, dignidade e esperança”. É muita conhecida na Igreja do Brasil a Pastoral da Pessoa Idosa. Na verdade, desde 1993, os cuidados com a terceira idade ainda eram um projeto integrante da Pastoral da Criança, fundada pela Dra. Zilda Arns, falecida durante o terremoto que abalou o Haiti (12/01/2010). Já em 2004, a Assembleia Geral da CNBB criou oficialmente a Pastoral da Pessoa Idosa, convidando a Dra. Zilda a se tornar secretária-executiva da nova entidade. Desde então, a Pastoral da Pessoa Idosa tem crescido muito e está presente em inúmeras dioceses do Brasil. Seu trabalho pastoral é feito por líderes comunitários capacitados que acompanham as pessoas idosas e suas famílias, oferecendo-lhes assistência espiritual, material e afetiva, a partir de visitas domiciliares frequentes. Na nossa Diocese a Responsável da Pastoral da Pessoa Idosa é Alzira Aparecida Martins (Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, Várzea Paulista), sendo Assessor Eclesiástico, o Diácono Permanente Mauro Nunes da Silva (Paróquia São Paulo Apóstolo, Cajamar). A Pastoral está presente em apenas quatro Paróquias (Santo Antônio, São Francisco de Assis, Nossa Senhora de Lourdes, todas em Várzea Paulista; São Paulo Apóstolo, Jordanésia, Cajamar), mas seria tão importante apoiá-la mais, tornando-a presente e atuante em todas as nossas comunidades!

A todos, eu também ancião, abençoo, particularmente os avós e os idosos e todos aqueles que os valorizam com amor e ternura”.

Dom Vicente Costa é Bispo Diocesano de Jundiaí
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