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Autonomia dá trabalho?

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23 de abril de 2018
Por José Renato Nalini

A educação é o mais relevante dos projetos que uma Nação deve enfrentar. Levada a sério, soluciona – ou ao menos ameniza – todo e qualquer problema. Só que o investimento em pessoas é um processo permanente, cujos resultados não coincidem com o tempo eleitoral. Daí a descontinuidade, a insistência em frutos imediatos, a hipertrofia da preocupação com análises e avaliações.

É sempre interessante, no Estado de Direito de índole democrática – foi essa a alternativa escolhida pelo constituinte-, verificar o que o pacto fundante quer ao contemplar a educação. Erigiu-a a “direito de todos”. Em qualquer idade, a qualquer tempo, todo ser humano titulariza o direito fundamental a uma educação formal e informal de qualidade.

Só que esse “direito de todos” é “dever do Estado e da família, em colaboração com a sociedade”. Preceito contido no artigo 205 da Constituição da República. O que isso significa? Ninguém está liberado de atuar no sentido de obtenção de um nível educacional coincidente com o nosso discurso, com o nosso ufanismo, com a nossa intenção de ocupar espaço diferenciado entre as Nações mais desenvolvidas do planeta.

Se todos são responsáveis, há alguns cuja obrigação é exponencialmente acrescida. São os gestores. Os que administram a máquina de ensino. São os diretores de unidades escolares, considerados a “alma” da escola. Quando o diretor ou diretora se convence de que lhe incumbe fazer funcionar o estabelecimento, a despeito de todas as dificuldades, não há óbice a que a escola se converta num nicho de excelência.

Isso é tangível e se comprova científica e empiricamente, ao detectar uma escola de clima harmônico, com o gestor liderando a sua equipe e mantendo a idealista e coesa. Sabendo conversar com os pais, com os demais colegiados que fazem parte da família escolar e com toda a comunidade.

Uma das aspirações do gestor vocacionado é obter autonomia para a sua escola. E isso é perfeitamente possível. Basta que ele seja criativo, engenhoso, operoso, dinâmico e consciente de sua missão. Nada está vedado ao administrador que tem iniciativa e que sabe superar vicissitudes, para oferecer ao alunado a educação de melhor qualidade que se puder obter. Mercê de Deus e da tradição da educação bandeirante, há muitos diretores e diretoras providos desse talento e patriotismo.
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