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Bomba-relógio!

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12 de maio de 2019
Por Vera Vaia

Quem viveu os 21 anos de ditadura militar aqui no Brasil - e sobreviveu a eles - estava com muito medo de ter de passar por tudo isso de novo com a eleição de Jair Bolsonaro.

Todos sabiam de sua ligação com o Exército, de como ele defendeu a ditadura que na sua cabeça nunca aconteceu, de como defendeu em plenário torturadores como o coronel Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI, e de suas ideias pouco democráticas para conduzir um país.

Um exemplo recente disso foi uma postagem sua no Twitter, que dizia: “A situação da Venezuela preocupa a todos. Qualquer hipótese será decidida EXCLUSIVAMENTE pelo Presidente da República, ouvindo o Conselho de Defesa Nacional. O governo segue unido, juntamente com outras nações, na busca da melhor solução que restabeleça a democracia naquele país”. (Tipo: se declararem guerra contra o país vizinho, tamo junto – ou quase isso).

EXCLUSIVAMENTE, presidente? Essa palavra não consta dos anais de um regime democrático. Só pra lembrar, um presidente que toma decisões sozinho é mais conhecido como ditador.

Claro que, depois de ter sido avisado de que temos um Congresso pra barrar decisões unilaterais, ele tirou a postagem.

E por uma ironia do destino, neste momento da história do Brasil o povo que antes tinha medo da volta da ditadura militar passou até a defender as Forças Armadas diante de outras ameaças.

Quando o presidente diz que pode tomar decisões sozinho ou quando aplaude as idiotices expelidas pelo seu guru de sarjeta, Olavo de Carvalho, esse mesmo povo se revolta contra os dois e sai em defesa dos ofendidos, nesse caso, os militares.

Depois de atacar o general Hamilton Mourão e de chamar o ministro da Secretaria Geral, Santos Cruz, de “uma bosta engomada”, Olavo desceu ao fundo do poço da baixaria contra o general Villas Boas, assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e publicou: “A quem me chama de desocupado não posso nem responder que desocupado é o cu dele, já que não para de cagar o dia inteiro”.

(Para quem não sabe, o general Villas Boas é portador de esclerose lateral amiotrófica, doença degenerativa que provoca paralisia motora total.)

O pior de tudo é que a família Bolsonaro, adepta da seita “olavoimbecildecarvalho”, não disse uma palavra contra esses ataques. Pelo contrário, o presidente disse que “continua admirando o Olavo”.

Em 1987, Bolsonaro admitiu ter cometido atos de indisciplina e de deslealdade contra seus superiores do Exército. A revista "Veja" de 25 de outubro daquele ano publicou que ele tinha um plano de explodir bombas-relógio - que ele mesmo fabricava - nos quartéis do Rio de Janeiro, em sinal de protesto contra os baixos salários. Ainda teria brincado que seria “só a explosão de algumas espoletas”. Depois desmentiu, foi considerado “não culpado” por falta de provas na história das bombas, mas ainda assim foi punido com prisão de 15 dias por reclamar publicamente dos salários.

Se é verdade ou não que Bolsonaro queria explodir as Forças Armadas com bombas de TNT naquela época, não sabemos. O que se sabe é que agora ele não se importa que “bombas” de efeito “imoral” sejam atiradas contra elas.

Deve achar que o tiro nunca sai pela culatra!

Vera Vaia é jornalista

 

 
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