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Começamos a pensar

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14 de setembro de 2018
Por Guaraci Alvarenga

Por iniciativa dos alunos, foi criado um projeto educacional na escola Professor Luis Rosa, uma das mais tradicionais da cidade, que leva ao colégio pessoas identificadas em temas específicos para uma sabatina. Deu-se o nome de "Café Filosófico" e tive o privilegio de ser convidado, junto com o delegado-vereador Paulo Sergio Martins e o professor Felipe Camargo para essa roda de perguntas e respostas.

Surpreendi-me com o interesse destes estudantes. Quando muito se fala que, na educação, falta a coisa mais importante, que é saber ler e interpretar textos, encontrei nestes jovens uma enorme capacidade de aprendizado e vi com esperança a possibilidade de um resgate de dias melhores para o país.

Um tanto emocionado, lembrei-me de uma pequena historia pública contada por Claudio Lembo...

Antigos amigos, Juscelino Kubitschek , presidente brasileiro, e António de Oliveira Salazar, primeiro-ministro de Portugal, teriam travado o singelo dialogo mais ou menos assim: "Presidente, o senhor se apercebeu que nossos povos têm grandes romancistas, notáveis poetas, mas não contam com um grande filósofo sequer?"

Embora não exista um registro oficial dessa conversa, o assunto mereceu de Claudio Lembo uma reflexão: “Os brasileiros e os portugueses não foram educados para pensar, apenas para obedecer. As nossas sociedades foram articuladas para aceitar dogmas, sem qualquer trabalho de crítica. A verdade era imposta pela autoridade, secular ou religiosa, e como tal deveria merecer acatamento. Aqui sempre conhecemos o preceito da fé absoluta. A busca das múltiplas verdades sempre foi impedida. Tudo isto transformou a sociedade brasileira em campo de provações. Uns poucos mandavam e todos tinham que obedecer. Não havia lugar para tolerância. Inexistia espaço para o confronto de pensamentos diversos. Sempre faltou a crença na razão. Tudo foi simulado, falseado e cerceado.”

Penso ao ver estes estudantes que a juventude brasileira começa a caminhar e com isso o pavor de setores das capitanias hereditárias é claro e expresso.

Quando cerca de 148 milhões de brasileiros alcançam a cidadania, expondo o principio da máxima liberal – cada cidadão um voto -, recorro novamente a Claudio Lembo, que diz: “Os titulares do vértice da pirâmide econômica mostram-se atônitos, nunca puderam imaginar que, apesar de todos os artifícios, um dia os brasileiros pudessem pensar e caminhar por suas próprias mentes. O diabo da opressão foi exorcizado. A partir de agora, as pessoas caminharão por si. Para o bem ou para o mal. Não importa.”

Quero agradecer a escola Professor Luis Rosa, a professora Joyce de Souza e a cara aluna Ana Paula, filha do amigo advogado dr. Marco Ferreira, pelo privilegio do convite, com a certeza que muito aprendi por brilhante turma de alunos.

Pense em seu país, porque pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Guaraci Alvarenga é advogado
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