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Encontro com Jesus

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22 de dezembro de 2018
Por Guaraci Alvarenga

Foi no meu tempo de estudante na capital, na grande cidade, próspera e orgulhosa, quando surgiam bairros elegantes na região dos Jardins. Ali, numa de suas avenidas famosas, ergueu-se uma majestosa Igreja, muito exuberante, de duas torres altas, como se fossem duas mãos levantadas para o céu, símbolo clemente da submissão à vontade divina.

A rica comunidade cristã, que ali entoa cantos e rezas para Deus, mais o fazem, em agradecer, do que pedir, os benefícios espirituais da graça celestial.

Época de festejos natalinos. Longe de meus familiares, buscava nos meus anseios o saber da vida. Uma luz extraordinária, como raio solar, irradiou meu espírito limitado e tocou o escuro refúgio, onde pulsava um coração seco.

Anunciada pelo santo templo, na véspera do Natal, a presença de um grande pregador messiânico, famoso pelo seu estilo familiar e bastante coloquial, em falar sobre o Evangelho de Cristo.

A expectativa era muito grande. Quem de nós, ungidos pela bênção da vida, não aspira se aproximar e se tornar íntimo de Jesus?

Pensei na sua mensagem. Talvez um lenitivo bem próximo de nossa pobre compreensão...

Chegado o dia. Luzes coloridas se confundiam com o brilho das estrelas. A iluminada Igreja abraçava incontáveis fiéis.

O templo sagrado acolhia um público respeitável e admirável. No místico ambiente ouvia-se uma suave música, que parecia regida pelos céus. Um forte clima de bendita adoração fervilhava no templo.

O venerável pregador se atrasou em alguns ansiosos minutos da hora marcada. Ao iniciar a palestra, pediu desculpas pela pequena demora. Mas se justificou, em boa razão, por seu atraso.

Referiu-se que a caminho da Igreja, quando estacionava seu carro, encontrou um casal humilde, pedindo abrigo. Eles acabaram de chegar à cidade e o homem apoiava em seus braços uma meiga mulher grávida. Cansados e famintos, desejavam apenas um lugar para pernoitar e, depois, seguir o destino a ser cumprido.

Pensou em ajudá-los e, assim, antes de iniciar a fala sobre o Evangelho, pediu aos presentes, por saber ser gente abastada, proprietária de mansões e carrões, e dedicada às coisas de Deus, se alguém poderia acolher aquelas pobres pessoas. Por certo haveria um canto, uma edícula, um quartinho nos fundos, numa das finas residências, onde pudessem passar a noite e depois seguir seu destino.

Um insensível silêncio se fez ouvir por todo o sagrado recinto. Muitos até baixavam a cabeça e desviavam os seus olhares do pregador. Outros cerravam os olhos, simulando como se estivessem em preces.

Lá no fundo, perto da suntuosa porta de entrada da Casa de Deus, uma pobre senhora, timidamente, levantou uma mão. Com a voz trêmula, dirigiu-se ao orador: "Meu senhor, na minha modesta casa tem apenas um quarto, onde durmo com meus dois pequenos filhos. Penso que estendendo um cobertor como cortina, no meio do quarto, eu possa oferecer parte dele para o casal necessitado".

O orador, então, percorreu seu olhar umedecido por toda a plateia silenciosa. Lagrimas furtivas escapavam de seus olhos. Contemplou a todos e revelou o que tinha de dizer, naquela noite, sobre o lugar de Jesus. "Abençoada senhora, você acaba de dar abrigo, em seu coração, a José, Maria e Jesus".

Guaraci Alvarenga é advogado
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