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Falta alguém em nossa vida

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10 de junho de 2019
Por José Renato Nalini

O discurso vigente impõe a cada ser humano a infindável busca da felicidade. O que é felicidade para quem sabe ser finito? Algumas décadas, não mais, são oferecidas – a quem se cuidar e tiver sorte – para a aventura terrena. Depois, a morte. E o mistério.

Por isso a variedade de tons – muito mais do que cinquenta – daquilo que pode ser considerado “felicidade”. Amor, sensual e familiar, dinheiro, poder, fama, saúde. Quanta coisa acrescentaria temperos saborosos à epopeia do existir!

Todavia, nunca estamos satisfeitos. Os economistas enxergam como natural essa insaciabilidade humana. Mal conseguimos algo ambicionado e outra coisa nos provoca. A gula difusa é permanente e inevitável. Ínsita à espécie. Não existe a felicidade absoluta. Ao menos, não nesta etapa existencial. O que deve tornar difícil a vida dos não crentes. A que se agarrar para ser ético, para ser generoso, para repartir os dons?

Há quem se conforte sobrecarregando os descendentes de compromissos de vária ordem. Não é incomum que os pais queiram sublimar suas frustrações nos filhos e nos netos. Situação bem apreendida por Gustavo Corção, no seu imperdível livro “A descoberta do outro”: “Inventam também a esperança das gerações futuras e cada pai faz questão de transmitir ao filho a mensagem truncada de seus ressentimentos. Em vez de entregar os frutos de sua vida e a palavra verdadeira da tradição, os pais burgueses, na sua pedagogia ativa e ativamente impelida para o nada, ensinam irritados e entregam a mensagem estranha 'do que não conseguiram fazer'. A aspiração máxima do iletrado está no filho doutor que passa geralmente a ser um doutor iletrado, e o maior desejo da mãe que foi pobre e modesta à força, está na filha que aproveite e dance o que ela não pode dançar. O desejo de prolongar, de continuar, faz assim os pais cravarem nas carnes moles dos filhos os seus próprios espinhos, e, como perpetuam o estrepe, pensam que se perpetuam”.

A humanidade, ao menos em considerável parcela, perdeu a capacidade de ver o sentido profundo e verdadeiro das coisas. Míope, hesita diante da evidência de que o mundo está sendo destruído – e rapidamente – por nossa premeditação ou incúria. Perde-se em discussões estéreis, oferecendo o espetáculo deprimente de violência crescente, de brigas entre sujeitos que apregoam serem crentes do mesmo credo. “Brigam por equívoco e massacram-se estando de acordo nos pontos principais”.

O ser humano precisa ser menos centrado em si mesmo. Não se completa se não abrir seu coração para o outro. “E é por isso que, mesmo no meio da família mais feliz e mais completa, ainda falta alguém. Falta o hóspede. E é por isso que toda a gente de casa se alegra quando o hóspede bate à porta. Benvindo seja! O pai de família se levanta com vivacidade e vai ao encontro do esperado, com a mão estendida, num gesto de dar e receber, num gesto de mendigo e de rei!”.

Quem é esse hóspede? Ele terá chance de abrigo em nossa casa?

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Uninove e  autor de “Ética Geral e Profissional”, RT-Thomson Reuters
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